Vai-Vai, Tatuapé e Mooca exaltam o cinema nacional, trabalho e o campo no primeiro dia de desfiles em SP

Carro Alegórico da Acadêmicos do Tatuapé. Foto: TV Globo

A primeira noite de desfiles do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo em 2026 reuniu tradição, política e identidade cultural.

Maior campeã do carnaval paulistano, o Vai-Vai levou à avenida o enredo “Em Cartaz: A Saga Vencedora de um Povo Heroico no Apogeu da Vedete da Pauliceia”, em homenagem a São Bernardo do Campo e aos históricos estúdios Vera Cruz. A escola da Bela Vista celebrou o cinema nacional, o ABC industrial e a trajetória de trabalhadores e artistas que moldaram a identidade cultural paulista. Mesmo com quesitos plásticos irregulares, o desfile reafirmou a força comunitária do Vai-Vai e sua capacidade de transformar memória em espetáculo popular, entrando na pista já com o dia claro, em razão dos atrasos acumulados ao longo da noite.

Um dos pontos altos da jornada foi a Acadêmicos do Tatuapé, que transformou o enredo “Plantar para colher e alimentar: tem muita terra sem gente e muita gente sem terra” em um manifesto poético sobre reforma agrária, soberania alimentar e justiça social. Em parceria com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a escola levou para a avenida alimentos produzidos em assentamentos e celebrou o trabalho no campo como base da vida urbana. A narrativa percorreu a história da agricultura, denunciou a concentração fundiária e exaltou o agricultor como agente de transformação social. O desfile, no entanto, contribuiu para o atraso do cronograma após um vazamento de óleo na pista, que exigiu intervenção técnica da organização.

A Mocidade Unida da Mooca, estreante no Grupo Especial, emocionou ao exaltar a força das mulheres negras e a ancestralidade afro-diaspórica com o enredo “Gèlèdés – Agbara Obinrin”. Inspirada na tradição iorubá e no trabalho do Instituto Geledés — organização fundada em 1988 e referência na defesa dos direitos das mulheres negras —, a escola construiu uma narrativa que partiu das origens da cultura africana para chegar às lutas atuais no Brasil.

O conjunto visual luxuoso, com alegorias detalhadas e fantasias de acabamento primoroso, dialogou com o samba vibrante, que conquistou o público. A bateria foi um dos grandes destaques da noite, com bossas criativas e paradonas que empolgaram as arquibancadas. Apesar disso, a escola enfrentou problemas de evolução e precisou acelerar o ritmo para não estourar o tempo regulamentar.

Entre as demais escolas, a Dragões da Real impressionou com o tema indígena e o impacto visual de suas alegorias, consolidando-se como uma das favoritas ao título. A Colorado do Brás trouxe um desfile lúdico e pop com o enredo sobre bruxas e saberes femininos. A Rosas de Ouro, atual campeã, enfrentou contratempos antes e durante o desfile, incluindo punições administrativas e problemas na comissão de frente, o que pode comprometer sua pontuação. A Barroca Zona Sul encerrou a noite com uma homenagem a Oxum, apostando em religiosidade e estética dourada, mas também com dificuldades de evolução.

Os desfiles do Grupo Especial aconteceram entre a noite de sexta-feira (13) e a madrugada de sábado (14). O Grupo de Acesso I se apresenta no domingo (15), e o desfile das campeãs está marcado para o dia 21 de fevereiro, no Sambódromo do Anhembi.

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