Agressores farão barril de petróleo atingir US$ 200, denuncia Irã

Petroleiros aguardam para passar em Ormuz (Redes Sociais)

Após bombardeio americano-israelense a instalações petrolíferas iranianas, com os incêndios nos reservatórios de Teerã sendo comemorados em Washington e Tel Aviv, a Guarda Revolucionária Islâmica, responsável pelo Estreito de Ormuz, advertiu aos agressores que “se eles podem arcar com o preço do petróleo a 200 dólares por barril, que continuem jogando esse jogo.”

O porta-voz da instituição, Ebrahim Zolfighari, denunciou que [EUA e Israel] iniciaram “novos e bárbaros ataques à infraestrutura de combustível e energia do Irã e aos centros de serviços relacionados à população”, em adição à morte de civis e destruição de propriedades.

Ele conclamou os governos dos países islâmicos da região a alertarem “a criminosa América e a brutal entidade sionista sobre esses ataques covardes contra a humanidade, de forma que as chamas da guerra não se espalhem ainda mais”.

“Senão, nós tomaremos passos similares na região e se eles podem arcar com o preço do petróleo a 200 dólares por barril, deixem-os continuar esse jogo”.

Na segunda-feira (9), quando o preço do petróleo alcançou os três dígitos, diante do fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo comercializado no planeta, e da suspensão da produção de gás no Qatar e na maior refinaria da Arábia Saudita, a questão da insanidade do ataque não provocado do eixo EUA-Israel ao Irã ficou às claras para o mundo inteiro. Centenas de navios lançaram âncora nas imediações do estreito.

Na terça-feira, Trump anunciou que os EUA teriam destruído 16 embarcações iranianas que supostamente estariam minando o Estreito de Ormuz, depois que uma postagem do seu secretário de Energia, Chris Wrigh, alegou que um petroleiro teria cruzado o estreito “escoltado por um navio de guerra americano” (mas depois retirou a fake news).

“Só se foi no PlayStation”, zombou o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, forçando a porta-voz da Casa Branca a desmentir tudo.

Nesta quarta-feira, três navios que ousaram tentar ingressar no Estreito foram devidamente dissuadidos. Um graneleiro de bandeira tailandesa chegou a pegar fogo, mas seus tripulantes foram resgatados e levados para o vizinho Omã.

NEM UM ÚNICO LITRO

“Qualquer embarcação cuja carga de petróleo ou a própria embarcação pertença aos Estados Unidos, ao regime sionista ou a seus aliados hostis será considerada alvo legítimo”, disse o comando operacional central dos militares iranianos, Khatam Al-Anbiya, em um comunicado transmitido pela TV estatal. Acrescentou que as forças armadas do Irã “não permitirão que um único litro de petróleo transite” pelo estreito.

Para tentar conter a alta no preço do petróleo provocada pelos ataques EUA-Israel ao Irã, a Agência Internacional de Energia (IEA) ordenou a maior liberação de reservas governamentais de petróleo em sua história. Serão liberados cerca de 400 milhões de barris de petróleo bruto de emergência, um terço dos estoques governamentais totais do grupo e mais que o dobro da maior liberação anterior.

Ao mesmo tempo, Trump caprichou nas declarações de que a guerra está quase acabando, para derrubar a alta do barril de petróleo Brent para US$ 84,11 depois de ter ido a US$ 120, o que desencadeara pânico por novo choque do petróleo.

Em uma entrevista de cinco minutos à Axios na quarta-feira (11), Trump disse que a guerra com o Irã terminará “em breve” porque “praticamente não há mais nada para atacar”. “Sempre que eu quiser que acabe, acaba”, inflou Trump.

Na segunda-feira, o presidente Putin advertira que, se o Estreito continuasse fechado por um mês, não apenas cessaria o transporte pela hidrovia responsável por 20% do petróleo comercializado no mundo, como a produção na região teria de ser paralisada, o que já está acontecendo, por falta de onde armazenar.

O senador democrata Chris Murphy, que faz parte dos Comitês de Apropriações e Relações Exteriores, disse no X que os planos de guerra do governo Trump contra o Irã são “incoerentes e incompletos” e disse temer que o conflito possa se transformar em uma “guerra sem fim.”

OLHE AS FOTOS DAS SUAS BASES ANTES E DEPOIS

Diante do “já ganhamos” de Trump, um alto comandante iraniano recomendou a ele que olhasse as fotos de satélite do comando americano no Oriente Médio (Centcom) antes e depois dos ataques do Irã com mísseis e drones contra as bases de Al-Dhafra (Emirados Árabes Unidos), Ali al-Salem, Arifjan (ambas no Kuwait) e a Quinta Frota (Bahrein).

“Sr. Trump! Ordene ao CENTCOM que coloque em seu tablet as informações e imagens de satélite antes e depois dos ataques iranianos com mísseis e drones contra Al-Dhafra, Ali Salem, Arifjan e a Quinta Frota. É espetacular”, declarou o Brigadeiro-General Musavi em uma postagem em sua conta no X na quarta-feira (11). Ele concluiu com: “a guerra continua…”

“TRUMP CALCULOU MAL”, DIZ O NYT

O principal jornal dos EUA, o The New York Times, apontou que Trump e seus assessores “calcularam mal” o impacto da resposta iraniana e do repique nos mercados de energia. Assim, o aumento drástico dos preços do petróleo após o fechamento do estratégico Estreito de Ormuz “forçou” a Casa Branca a improvisar maneiras de conter uma “crise econômica” nos próprios EUA, destacou.

Em resposta à agressão americano-israelense, o Irã lançou “rajadas de mísseis e drones contra bases militares americanas, cidades em países árabes do Oriente Médio” e contra Israel, além de fechar o estratégico Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

Às pressas Trump se viu forçado a evacuar suas embaixadas na região e desenvolver novas estratégias para reduzir os preços da gasolina.

O NYT relembra que, em 18 de fevereiro, dez dias antes do ataque ao Irã, o Secretário de Energia dos EUA afirmou que, se a guerra contra a República Islâmica elevasse os preços do petróleo, seria apenas por um curto período. Os alertas sobre o fechamento do Estreito de Ormuz foram ignorados.

“A magnitude desse erro de cálculo ficou exposta nos últimos dias, quando o Irã ameaçou atacar petroleiros comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz, o gargalo estratégico pelo qual todos os navios que saem do Golfo Pérsico devem passar”, diz o artigo .

O tráfego marítimo comercial caiu drasticamente na região e, agora, o governo Trump “foi forçado a improvisar maneiras de conter uma crise econômica” devido ao aumento dos preços do petróleo nos EUA, segundo o NYT.

Para o jornal, diante dessa situação e da falta de uma estratégia clara para encerrar a guerra, alguns funcionários do governo Trump “tornaram-se cada vez mais pessimistas”. No entanto, eles não expressam isso diretamente a Trump, que não gosta de ser contrariado.

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