Vendas do comércio caem 0,4% em dezembro sob efeito dos juros elevados

Nem as festas natalinas ajudaram o comércio. (Foto: Rovena Rosa - Agência Brasil)

Em 2025, o volume de vendas cresceu 1,6% e desacelerou em relação a 2024 (4,1%)

Apesar do mês de dezembro ser marcado pelo recebimento do 13º salário e pelas festas natalinas, o volume de vendas no comércio varejista brasileiro caiu -0,4% no mês, após alta de 1% em novembro de 2025. Os dados são da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada nesta sexta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em dezembro de 2025, também houve quedas nas vendas do varejo ampliado, que recuaram 1,2%, resultado que apaga os ganhos obtidos em novembro (0,6%).

Em todo ano de 2025, o volume de vendas no comércio varejista cresceu 1,6%, desempenho abaixo dos anos de 2024 e 2023, 4,1% e 1,7%, na ordem. Essa queda de desempenho é reflexo direto da asfixia dos juros base de 15% do Banco Central (BC) contra o consumo de bens no país.

Para a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em janeiro deste ano, de manter a Selic em 15% “prolonga um ciclo monetário excessivamente restritivo e de aperto monetário, que já demonstra efeitos claros de esgotamento sobre a economia real”. “Desde o início da alta dos juros, o consumo perdeu força, o ritmo de vendas do comércio desacelerou de forma significativa e o custo do crédito passou a pressionar empresas e famílias”, alertou a entidade.

Durante o ano de 2025, o comércio varejista restrito patinou, com quatro meses seguidos de quedas: janeiro (0,1%) , fevereiro (0,5%), março (0,7%), abril (-0,3%), maio (-0,3%), junho (-0,1%), julho (-0,2%), agosto (0,2%), setembro (-0,1%), outubro (0,5%), novembro (1,0%) e dezembro (-0,4%). O resultado positivo em novembro foi influenciado pelas promoções do Black Friday.

“O comércio varejista fecha 2025 com crescimento em relação a 2024, mas com uma amplitude menor”, assinalou o gerente da pesquisa Cristiano Santos. O ano de 2025 “fecha com 1,6%, mais ou menos no mesmo nível de crescimento registrado nos anos anteriores”.

“Já o varejo ampliado não experienciou expansão em 2025 em relação a 2024, variando apenas 0,1%. Isso se deve às perdas de setores importantes, como de revenda de veículos, motos, partes e peças (que havia tido um 2024 muito forte) e atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, que teve queda na distribuição de cereais e leguminosas, produtos ofertados normalmente nos Ceasas”, completou Cristiano.

Na passagem de novembro para dezembro, seis das oito atividades do comércio varejista restrito ficaram no campo negativo, na série com ajuste sazonal:

  • Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-5,1%);  
  • Livros, jornais, revistas e papelaria (-2,0%);
  • Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-1,8%),
  • Móveis e eletrodomésticos (-0,7%);
  • Tecidos, vestuário e calçados (-0,4%);
  • Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,3%);
  • Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (+6,0%);
  • Combustíveis e lubrificantes (_0,3%).

Na modalidade ampliada, que inclui veículos, motos, partes e peças; material de construção; e atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, o volume de vendas recuou 1,2% em dezembro, com destaque para:  

  • Veículos e motos, partes e peças (-2,4%)
  • Material de construção (-2,8%).

No acumulado de 12 meses de 2025, o varejo ampliado cresceu apenas 0,1%, menor que as taxas de crescimento de 2024 (3,7%) e de 2023 (2,3%).

No ano de 2025, todos os componentes da modalidade ampliando mostraram quedas em suas vendas: Veículos e motos, partes e peças (-2,9%), Atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo (-2,3%) e Material de construção (-0,2%).

Além do comércio, também foram constatadas desacelerações nos crescimentos da produção física industrial e no volume de serviços no país.

A produção industrial brasileira caiu 1,2% em dezembro, fechando o ano de 2025 em alta de apenas 0,6%. Em 2024, a indústria com um todo mostrou alta de 3,1%.

Já o volume de serviços no Brasil cresceu 2,8% no ano de 2025, após queda de -0,4% em dezembro. Em 2024, o setor de serviços cresceu 3,1%. Em 2023, a alta foi de 2,9%.

Apesar deste lamentável descenso no ritmo de crescimento dos principais setores da economia brasileira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC jogou para março deste ano o já possível início do ciclo de cortes da taxa básica de juros (Selic), sinalizando que a redução deve ser lenta e os cortes a conta-gotas – diferente da lógica de quando decidem aumentar os juros, de forma rápida e com grandes acréscimos. Para o mercado, o nível da Selic deve encerrar em 12,5% este ano.

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