
Em carta à ONU, o governo Maduro conclama Nações Unidas a condenarem mobilização militar dos Estados Unidos no Caribe e afirma que deslocamento de submarino de ataque rápido com propulsão nuclear ameaça paz na região, integridade territorial e independência do país
O governo da Venezuela entregou nesta quinta-feira (28) um comunicado oficial à secretaria-geral das Nações Unidas denunciando a escalada de ameaças dos Estados Unidos, com movimentação da navios de guerra junto à costa do país, como parte da política de coações, perseguições e agressões à soberania da nação sul-americana.
Conforme o documento, os ataques se intensificaram nos últimos anos por meio de “sanções ilegais, campanhas de difamação, desrespeito às instituições legítimas da Venezuela e processos politicamente motivados”, que “atingiram um nível de ameaça sem precedentes com a mobilização naval dos EUA no Caribe”.
O envio militar de forças navais e aéreas estadunidenses, incluindo contratorpedeiros e um cruzador de mísseis guiados, bem como “a presença, pela primeira vez na América Latina e no Caribe, de um submarino de ataque rápido com propulsão nuclear”, denuncia o governo venezuelano, constitui um enorme disparate que põe em risco a estabilidade hemisférica.
De forma contundente, a Venezuela explicita que esta ação “viola abertamente o Tratado de Tlatelolco, instrumento que estabeleceu a desnuclearização da região e que também vincula os Estados Unidos pelos Protocolos I e II daquele tratado”.
“AÇÃO DOS EUA É FLAGRANTE VIOLAÇÃO DA CARTA DAS NAÇÕES UNIDAS”
No documento, o governo venezuelano lembra ainda que tais operações militares dos EUA constituem “uma flagrante violação da Carta das Nações Unidas”, em particular dos artigos que consagram a igualdade soberana dos Estados, a solução pacífica de controvérsias, a proibição da ameaça ou do uso da força e o princípio da não intervenção em assuntos internos. “Além disso, desconsideram a Proclamação da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) de 2014, que declarou a região como Zona de Paz”, sublinha.
Conclamando o governo Trump a cessar suas ações hostis e respeitar a soberania, a integridade territorial e a independência política do país, o governo venezuelano reafirma sua fiel vocação de paz, mas adverte que, conjuntamente com seu povo, “jamais aceitará a imposição da força nem a violação de seus direitos inalienáveis”.
“A humanidade e esta Organização”, reiterou o presidente Nicolás Maduro, “não podem permitir, em pleno século XXI, o ressurgimento de políticas de força que ponham em risco a paz e a segurança internacionais. A Venezuela reitera seu compromisso com o direito internacional, a resolução pacífica de controvérsias e o respeito à soberania dos povos”.
Nesse sentido, conclui o presidente Maduro, é indispensável que no âmbito das atribuições que lhe são conferidas pela Carta das Nações Unidas, o organismo internacional “assuma a defesa ativa de seus valores e princípios”.