Delcy está no comando do país por decisão da Justiça e com o respaldo das Forças Armadas
Após o criminoso ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela que culminou no sequestro do presidente Nicolás Maduro, no domingo (4), a Câmara Constitucional do Supremo Tribunal ordenou que a vice-presidente, Delcy Rodríguez, assumisse o comando interino da nação, o que contou com respaldo das Forças Armadas.
O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, denunciou a violação da soberania do país e disse que os militares “rechaçam contundentemente o covarde sequestro” de Maduro.
Padrino repeliu em seguida “o sequestro covarde do cidadão Nicolás Maduro Moros, presidente constitucional da República Bolivariana da Venezuela, nosso comandante-em-chefe, e de sua esposa, a primeira-dama Cilia Flores de Maduro”.
“Convoco o povo da Venezuela para que mantenha a paz e a ordem, e não sucumba às tentações da guerra psicológica, às ameaças e ao medo que querem nos impor. Peço que retomem suas atividades econômicas, laborais e todas as demais nos próximos dias”, expressou o ministro da Defesa em documento amplamente divulgado.
RESPEITAR O PRINCÍPIO DA “NÃO INTERFERÊNCIA”
A vice-presidente executiva Delcy Rodríguez tomou posse formalmente como presidente interina da Venezuela nesta segunda-feira (5), perante a Assembleia Nacional. Esta ação garante a continuidade constitucional e a defesa integral da nação após o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores pelos Estados Unidos no sábado (3).
A presidente interina Delcy Rodríguez enviou neste domingo uma mensagem “ao mundo e aos Estados Unidos”, na qual reiterou o “compromisso com a paz” de seu país, enfatizou a necessidade de respeitar o princípio da “não interferência” e destacou a importância de trabalhar dentro da estrutura do direito internacional, e para fortalecer a convivência comunitária duradoura”.
“Nosso país aspira a viver sem ameaças externas, em um ambiente de respeito e cooperação internacional. Acreditamos que a paz mundial se constrói, em primeiro lugar, garantindo a paz de cada nação”, escreveu Delcy em seu canal no Telegram.
Em sua mensagem, a presidente fez um apelo explícito ao presidente Donald Trump e reiterou que a paz e o diálogo têm sido um princípio defendido pelo presidente venezuelano Nicolás Maduro. “Nosso povo e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra”, enfatizou, ao mesmo tempo em que defendeu o direito da Venezuela à soberania, ao desenvolvimento e à construção de seu futuro livre de pressões externas
Mensagem da Venezuela para o mundo e os Estados Unidos
A Venezuela reafirma seu compromisso com a paz e a coexistência pacífica. Nosso país aspira a viver livre de ameaças externas, em um ambiente de respeito e cooperação internacional. Acreditamos que a paz mundial se constrói, em primeiro lugar, garantindo a paz dentro de cada nação.
Consideramos prioritário avançar rumo a uma relação internacional equilibrada e respeitosa entre os EUA e a Venezuela, e entre a Venezuela e os países da região, baseada na igualdade soberana e na não-interferência. Esses princípios norteiam nossa diplomacia com o resto do mundo.
Estendemos o convite ao governo dos EUA para trabalharmos juntos em uma agenda de cooperação, orientada para o desenvolvimento compartilhado, dentro da estrutura do direito internacional e para fortalecer uma coexistência comunitária duradoura.
Presidente Donald Trump: Nosso povo e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra. Essa sempre foi a posição do presidente Nicolás Maduro, e é a posição de todos os venezuelanos neste momento. Essa é a Venezuela em que acredito, aquela à qual dediquei minha vida. Meu sonho é que a Venezuela seja uma grande potência onde todos os venezuelanos de bem possam se unir.
A Venezuela tem direito à paz, ao desenvolvimento, à soberania e a um futuro.
Delcy Rodríguez
Presidente em exercício da República Bolivariana da Venezuela
“O POVO ESTÁ INDIGNADO PELO SEQUESTRO ILEGAL DO PRESIDENTE”
A declaração de Rodríguez aconteceu após ela ter sido publicamente ameaçada por Trump, que a advertiu mais cedo de que ela pagaria “um preço provavelmente maior do que [o presidente Nicolás] Maduro” se não cumprisse as diretrizes da Casa Branca.
Ela havia anunciado na tarde de sábado o decreto de comoção externa assinado pelo presidente Nicolás Maduro.
“O povo venezuelano […] está indignado com o sequestro ilegal e ilegítimo do presidente e da primeira-dama, Cilia Flores. Toda a Venezuela está mobilizada, e o decreto já assinado pelo presidente Maduro, o único presidente da Venezuela, está em vigor”, afirmou Delcy.











