Fabiano Zettel, cunhado laranja de Daniel Vorcaro, dono do Master, foi o maior doador da campanha de Tarcísio ao governo. Ele retribuiu viabilizando a negociata com a Empresa Metropolitana de Águas e Energia
As investigações sobre o escândalo do Banco Master revelaram uma ligação profunda entre políticos bolsonaristas e o banco de Daniel Vorcaro. Os bolsonaristas se lambuzaram com a roubalheira e ainda tentaram impedir a liquidação do banco. O senador Ciro Nogueira, por exemplo, ligado a Bolsonaro, chegou a ameaçar o diretor do Banco Central por este ter impedido a negociata do banco com o BRB.
Neste artigo vamos tratar especificamente do envolvimento de outro bolsonarista, Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, na roubalheira do Master. Isso depois do governador de Brasília, Ibaneis Rocha, ter autorizado a injeção de R$ 12 bilhões do BRB no banco falido de Vorcaro, e o do Rio, Cláudio Castro, ter injetado outros R$ 1 bilhão dos aposentados do estado em CDBs podres do Master nas vésperas da liquidação do banco e da prisão de Vorcaro.
Já durante as ações da Polícia Federal na investigação do rombo bilionários do Banco Master, veio à tona a informação de que o cunhado de Daniel Vorcaro, dono do banco, o pastor Fabiano Zettel, foi o maior doador individual, pessoa física, da campanha de Tarcísio de Freitas ao governo paulista em 2022. Ele sozinho fez uma doação de R$ 2 milhões para Tarcísio. O mesmo Zettel também despejou mais R$ 3 milhões na campanha de Jair Bolsonaro.
Assim que foi eleito, Tarcísio retribuiu os R$ 2 milhões de Vorcaro com a negociata de privatização da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE). A EMAE é considerada uma empresa estratégica para o estado de São Paulo, atuando no sistema hídrico e na geração de energia, incluindo as usinas de Henry Borden e os reservatórios Billings e Guarapiranga. Ela foi vendida por apenas R$ 1 bilhão, enquanto estudos do próprio governo paulista haviam apontado para um valor potencial de R$ 10 bilhões, em caso de venda da companhia.
Tarcísio vendeu o controle da empresa ao Fundo Phoenix FIP, cujo investidor de referência era Nelson Tanure. Logo após ser privatizada, a EMAE comprou R$ 160 milhões em debêntures do Banco Master. Antes da privatização, a EMAE tinha R$ 400 milhões em caixa. Um ano depois, o caixa estava zerado. Tarcísio viabilizou a venda da empresa e o assalto ao seu caixa pelos novos donos. Muita propina deve ter rolado nesta negociata criminosa.
Mas a trama envolvendo Tarcísio, Tanure e Vorcaro era ainda mais grave do que apenas a venda da empresa por uma fração de seu valor e a compra de CDB podres do Banco Master. O fundo que adquiriu o controle da EMAE havia usado as ações da empresa Ambipar como garantia – ações que, segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), foram artificialmente valorizadas.
Uma análise técnica da CVM apontou que houve um “movimento orquestrado” entre Tanure, o Banco Master e Tércio Borlenghi Junior (controlador da Ambipar) com o objetivo de elevar artificçmente o preço das ações da Ambipar. Essa valorização favoreceu a constituição da garantia (ações da Ambipar) para o financiamento da aquisição do controle da EMAE. Ou seja, um golpe de gangsteres.
Na sequência, em outubro de 2025, depois de ter comprometido o caixa da EMAE com o Master, Tanure revende a empresa para a própria Sabesp. O controle da EMAE acabou sendo adquirido pela Sabesp, agora privatizada, por R$ 1,13 bilhão. Pouco mais de um mês depois, em novembro, o Master foi colocado em liquidação extrajudicial pelo Banco Central. Em fevereiro de 2025, a EMAE fez um empréstimo de R$ 10 milhões para a Sociedade Milos de Participações, apontada como controlada indiretamente por Tanure.
Depois, anunciou um investimento de R$ 250,4 milhões em títulos de dívida da Light S.A., empresa que tem Tanure como acionista. Em setembro de 2025, o Fundo Phoenix não pagou a primeira parcela de remuneração das debêntures. A Vórtx Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, agente fiduciário dos credores da EMAE, moveu ação judicial acusando Tanure de esvaziar o caixa da companhia. Como consequência, os credores (Fundo Macadâmia/XP e Vórtx) decretaram a execução antecipada da dívida de R$ 520 milhões, financiados por debêntures, executando as garantias.











