
O ex-assessor da Presidência, José Yunes, amigo íntimo de Michel Temer, acusado de corrupção na Lava Jato, esteve com o presidente no Hospital Sírio Libanês quatro dias antes de prestar depoimento à Polícia Federal. O depoimento foi feito em 30 de novembro, mas só agora tornou-se público. José Yunes é apontado pelo operador financeiro Lúcio Funaro, que fez um acordo de colaboração premiada, como um dos responsáveis por administrar as propinas pagas ao presidente e por fazer o “branqueamento” dos valores. De acordo com Funaro, para lavar o dinheiro, Yunes investia os valores ilícitos em sua incorporadora imobiliária.
Perguntado sobre o pacote de propina que recebeu de Eliseu Padilha a mando de Lúcio Funaro, Yunes respondeu recordar-se sim da ocasião em que recebeu esse pacote a pedido do ministro Eliseu Padilha. Ele afirmou que em nenhum momento soube que havia dinheiro no interior do envelope/pacote. Disse também que, depois de uns 40 minutos após ter recebido o envelope, uma terceira pessoa retirou o envelope. Ele foi só o intermediário. Não teve nem curiosidade de saber o que tinha no pacote estufado que recebeu. Também não sabe dizer nem quem retirou o pacote. Quem entregou o envelope foi nada menos do que o próprio Lúcio Funaro, que disse à PF que no envelope tinha propina. Yunes repete Lula e diz que não sabe de nada e que não viu nada.
Questionado se já tinha realizado negócios com Michel Temer, Yunes mentiu. Disse que “nunca vendeu nenhum imóvel para ele como pessoa física”. Logo em seguida teve que admitir a venda do imóvel onde hoje funciona o escritório de Temer em São Paulo. Só que Yunes mentiu outra vez no seu depoimento. Temer não comprou só o escritório. Comprou de Yunes dois escritórios, uma casa e o andar de um prédio em áreas nobres de São Paulo que valeriam atualmente, segundo cálculos de mercado, R$ 18,4 milhões. Esses imóveis foram adquiridos entre os anos 2000 e 2010, quando Temer era deputado federal.
Um desses imóveis é um andar do edifício Spazio Faria Lima, no Itaim Bibi. O andar foi vendido pela empresa YUNY. O ex-assessor disse que a empresa não era dele. A arapuca foi fundada por ele, mas não está em seu nome. Está no nome de seus filhos. Ou seja, os filhos são laranjas de Yunes. O imóvel foi comprado por Temer da empresa YUNY e não de José Yunes. Deu para entender? Ele lavava dinheiro em nome dos filhos. Em junho de 2010, Yunes comprou uma casa no bairro Alto de Pinheiros, zona também nobre de São Paulo, por R$ 750 mil. Um mês depois o imóvel foi vendido à atual primeira-dama Marcela Temer por R$ 830 mil, quantia doada a ela pelo marido antes da compra, segundo informações da assessoria do Planalto.