O coordenador de departamento pessoal Ailton Alves de Sousa, de 41 anos, morador de Heliópolis, na Zona Sul, da capital paulista, foi detido quatro vezes indevidamente nos últimos sete meses ao ser confundido com pelo sistema de reconhecimento facial Smart Sampa, da Prefeitura de São Paulo.
Ailton tem sido confundido com um foragido da Justiça acusado de homicídio em Mato Grosso. As abordagens ocorreram em diferentes situações do cotidiano, como ao sair de casa, no trabalho, durante uma corrida de rua e ao acompanhar a mãe que passaria em atendimento em um UPA (Unidade de Pronto Atendimento). Sem dever nada à Justiça, Ailton relata estar sob constante ansiedade e medo.
“Mesmo sem dever nada, você fica com receio, com medo, com vergonha da situação em si. Eu sou uma pessoa honesta e digna e não devo nada para ninguém”, disse Ailton em entrevista ao SP2, da rede Globo.
Ao ser abordado pelas forças de segurança, os agentes o informaram que ele estava cadastrado no sistema como foragido. Contudo, qualquer olhar mais atento para o nome do suspeito e o de Ailton perceberia que há diversas inconsistências, como diferenças na grafia do sobrenome. Nascido em Santa Tereza do Oeste (PR), o homem foragido tem o sobrenome Souza escrito com a letra “z”, enquanto o paulistano tem seu Sousa com “s”.
Além disso, o homem foragido nasceu em 1972, enquanto Ailton nasceu em 1984, uma diferença de 12 anos que passou “despercebida” pelos agentes. Os sobrenomes da mãe também são diferentes. Em todos os três mandatos encontrados pelos policiais como justificativa não há foto dos procurados.
Mesmo após solicitações do advogado para retirada dos dados do sistema, o erro persistiu, resultando em novas abordagens. A defesa também acionou a Justiça de Mato Grosso e o próprio sistema, sem retorno até o momento.
PREFEITURA DIZ NÃO HAVER ERRO
Embora o caso revele um reconhecimento equivocado pelo sistema Smart Sampa, a Prefeitura de São Paulo afirma que não houve falha no funcionamento da ferramenta, sustentando que este é o procedimento esperado. Para a gestão Ricardo Nunes, a atuação da Guarda Civil Metropolitana ocorreu de forma regular, baseada em alerta do sistema e na confirmação de mandado ativo no Banco Nacional de Mandados de Prisão.
A Prefeitura também declarou que o sistema não é responsável pela inclusão ou atualização de dados, atribuição que cabe a outros órgãos, como o Poder Judiciário.
Já a Secretaria da Segurança Pública informou que notificou o Conselho Nacional de Justiça sobre a inconsistência e providenciou a remoção dos dados de Ailton da base estadual. Ainda assim, nem a SSP nem a Prefeitura souberam esclarecer quem inseriu a imagem equivocada no sistema.
Embora a situação por si só seja aterradora, é importante destacar que Ailton é um homem negro. De acordo com os dados da sexta edição do relatório “Pele Alvo: crônicas de dor e luta”, divulgado pela Rede de Observatórios da Segurança em 2025, 86% das vítimas das ações policiais, quando a cor é informada, são negras ou pardas.
Esse cenário que está se coloca o sentimento de medo e ansiedade em Ailton











