Rússia na ONU: ‘EUA traíram países do Golfo com suas ações agressivas’

Vassily Nebenzia denuncia agressão dos EUA na ONU (Redes Sociais)

Conselho de Segurança da ONU aprova resolução condenando o Irã, mas não os Estados Unidos ou Israel. Rússia e China se abstiveram.

O representante permanente da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, afirmou nesta quarta-feira (11) que os Estados Unidos, ao atacar o Irã, “comprometeram” os outros países do Golfo, deixando-os vulneráveis ​​a ataques. A declaração aconteceu durante reunião do Conselho de Segurança.

“Os Estados Unidos envolveram os países do Golfo em suas ações agressivas. Os americanos ignoraram repetidos pedidos para não usar os territórios dos países árabes para lançar operações militares contra o Irã”, observou Nebenzia.

Ele registrou que o próprio Comando Central dos Estados Unidos afirmou que os ataques foram lançados “não apenas por mar e ar, mas também por terra”. “É evidente que só poderia ter sido o território de países vizinhos ao Irã”, afirmou.

O pronunciamento de Nebenzia foi durante o debate sobre uma resolução, subscrita pelo Bahrein, condenando os ataques do Irã contra alvos dos Estados Unidos e de Israel no Oriente Médio, mas que não fez menção alguma à agressão de Tel Aviv e Washington contra o Irã. Rússia e China se abstiveram.

Nebenzia assinalou que o quartel-general da Quinta Frota dos EUA no Bahrein é “a principal força de ataque contra o país persa” e descreveu a Base Aérea Príncipe Sultan na Arábia Saudita como “o principal ponto de manutenção de aeronaves dos EUA na região”.

O diplomata também observou que Washington utiliza suas bases no Catar, Kuwait, Jordânia e Iraque para sua agressão, o que o Irã usa como “justificativa” para seus ataques.

Na véspera, o Conselho de Segurança da ONU havia rejeitado um projeto de resolução promovido pela Rússia que instava todas as partes a cessarem imediatamente as atividades militares no Oriente Médio e condenava os ataques contra civis e infraestrutura civil.

O documento não conseguiu obter o apoio necessário e foi rejeitado com quatro votos a favor, dois contra e nove abstenções. China, Paquistão, Somália e Rússia votaram a favor, enquanto os Estados Unidos e a Letônia votaram contra.

“CAUSAS PROFUNDAS”

Nebenzia explicou que a Rússia se absteve na votação da resolução referente ao Irã por considerá-la “tendenciosa”, já que “confunde a relação de causa e efeito”.

“É impossível e injusto falar de ataques contra países da região sem levar em conta as causas profundas da escalada atual, ou seja, a agressão dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica do Irã”, afirmou, esclarecendo que Moscou considera “inaceitáveis” os ataques contra o “território” e a “infraestrutura civil” dos países do Golfo.

Os Estados e Israel lançaram uma agressão conjunta contra o Irã, em violação da Carta da ONU e da lei internacional, de decapitação da República Islâmica do Irã, que matou o líder supremo do país, Ali Khamenei e altos mandos militares, mas fracassou em impor o caos e um governo vassalo.

Na segunda-feira (9), Mojtaba Khamenei, de 56 anos, filho do falecido líder supremo, foi escolhido como seu sucessor. Exercendo seu direito de defesa conforme o artigo 51 da Carta da ONU, Teerã segue reagindo com inúmeras ondas de mísseis balísticos e drones contra Israel e contra bases americanas em países do Oriente Médio.

CHINA PEDE DESESCALADA

O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, em telefonemas aos principais líderes do Golfo, tem conclamado a um cessar-fogo imediato no Oriente Médio e esforços para uma solução política.  Segundo Wang, a chave para evitar uma escalada maior está na paralisação das operações militares pelos EUA e Israel, e no fato de a China não aprovar ataques a países do Golfo e condenar todos os ataques a instalações civis e a civis inocentes.

O chanceler chinês manteve interlocuções com homólogos do Qatar, Paquistão, Emirados Árabes, Kuwait, enquanto o enviado especial de Pequim para o Oriente Médio, Zhai Jun, se reuniu na Arábia Saudita com Faisal bin Farhan Al Saud.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou ainda que, como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e amigo sincero dos países do Oriente Médio, a China permanecerá “comprometida em promover a paz e defender a justiça e a equidade”. A China continuará fortalecendo a comunicação com as partes relevantes, incluindo as partes do conflito, e desempenhará “um papel construtivo na desescalada e restauração da paz”.

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