“É uma fala patética e inexplicável. Ele próprio assinou a CPI”, disse o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do requerimento da CPI
A proposta de criação de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar desdobramentos do caso que envolve o Banco Master provocou novo embate no Senado.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que a comissão seria “ilegal”, enquanto o autor do requerimento, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), reagiu dizendo que a posição do colega revela “covardia ou conveniência”.
A iniciativa pretende investigar possíveis relações entre os ministros do Supremo Tribunal Federal e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em meio às suspeitas levantadas em investigações e reportagens recentes.
O requerimento para a criação da CPI já reuniu 35 assinaturas de senadores: 8 a mais que o mínimo necessário para protocolar o pedido no Senado.
Em entrevista ao SBT News, Flávio Bolsonaro afirmou que a proposta de CPI não teria base jurídica porque tentaria investigar crimes comuns atribuídos a pessoas específicas.
“Eu assinei, mas o autor dela, o senador Alessandro Vieira, é um grande hipócrita. Ele faz esse tipo de pedido sabendo que não vai ser instaurado porque ela é ilegal”, declarou o senador.
Apesar da crítica, Flávio foi um dos signatários do requerimento apresentado por Vieira; tendo aderido à lista depois que o número mínimo de assinaturas já havia sido alcançado.
“COVARDIA OU CONVENIÊNCIA”
Autor do pedido de CPI, Alessandro Vieira reagiu duramente às declarações do colega.
“É uma fala patética e inexplicável. Ele próprio assinou a CPI e é óbvio que ela pode investigar as relações dos ministros com o Banco Master”, afirmou o senador.
Em manifestação nas redes digitais, Vieira questionou a reação do parlamentar do PL.
“Alguém consegue explicar por que o Flávio Bolsonaro ficou tão nervoso com uma CPI que vai investigar a conduta dos ministros [Dias] Toffoli e [Alexandre] Moraes? Que ele protege os ministros, por covardia ou conveniência, a gente já sabia”, escreveu.
O senador do MDB argumenta que o Senado possui competência para investigar fatos relacionados às autoridades e também para processar pedidos de impeachment de ministros do Supremo.
CASO BANCO MASTER
A proposta de CPI surge em meio às investigações e reportagens sobre o Banco Master e o controlador da instituição, Daniel Vorcaro. Mensagens obtidas em investigações da Polícia Federal apontariam contatos entre o empresário e autoridades, incluindo integrantes do STF.
O objetivo da comissão seria apurar a existência e a extensão dessas relações e avaliar possíveis impactos institucionais decorrentes dessas.
O tema ganhou forte repercussão política nas últimas semanas, com parlamentares defendendo maior transparência sobre os vínculos entre agentes públicos e o sistema financeiro.
DISPUTA POLÍTICA E INSTITUCIONAL
O embate entre Flávio Bolsonaro e Alessandro Vieira evidencia que a proposta de CPI já nasce cercada de tensão política.
Enquanto parte do Senado defende a investigação como instrumento de fiscalização institucional, outro grupo questiona a viabilidade jurídica e aponta risco de conflito entre os Poderes. A decisão sobre a instalação da comissão caberá à direção do Senado.











