Ministra do Planejamento confirma candidatura após articulação com Lula e Alckmin; decisão projeta disputa acirrada pela vaga paulista e amplia o peso político da eleição no maior colégio eleitoral do País
A ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), confirmou que disputará uma vaga no Senado por São Paulo nas eleições de 2026, decisão que reorganiza o tabuleiro político do maior colégio eleitoral do País e reforça a estratégia da base governista de ampliar presença na Casa Alta.
Segundo a própria ministra, a decisão ocorreu após conversas com o presidente Lula (PT) e com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que a incentivaram a disputar o pleito paulista.
Tebet afirmou que aceitou o desafio depois de meses de diálogo político. “Foi uma decisão construída coletivamente”, indicou, e destacou que a candidatura dela atende a projeto mais amplo de composição política no campo governista.
Para viabilizar a candidatura, a ministra deve deixar o cargo no governo federal nas próximas semanas e transferir oficialmente o domicílio eleitoral para São Paulo, passo necessário para participar da disputa.
DA TERCEIRA VIA AO SENADO
A eventual eleição de Tebet representaria retorno ao Senado; desta vez por outro Estado. A ministra e ex-senadora do MDB (Movimento Democrático Brasileiro) foi senadora por Mato Grosso do Sul entre 2015 e 2023 e ganhou projeção nacional ao disputar a Presidência da República em 2022.
Naquela eleição, apesar de iniciar a campanha com baixa intenção de voto, terminou o pleito com cerca de 4,9 milhões de sufrágios em todo o País; dos quais cerca de 1,6 milhão vieram do eleitorado paulista, desempenho que reforçou a visibilidade no Estado.
O resultado consolidou a imagem dela como liderança política de diálogo entre diferentes campos ideológicos, característica que tem sido explorada por aliados na construção de alianças para 2026.
Filha do ex-presidente do Senado, Ramez Tebet, falecido em 2006, ela é professora universitária de Direito. Foi também vice-governadora do MS.
SÃO PAULO: PRÊMIO ESTRATÉGICO
A disputa pelo Senado em São Paulo será uma das mais relevantes do ciclo eleitoral de 2026. O Estado elegerá 2 senadores no pleito marcado para outubro, simultaneamente às eleições presidenciais e estaduais.
Por concentrar cerca de 1/5 do eleitorado nacional, São Paulo exerce papel central na definição da correlação de forças no Congresso. A presença de Tebet na disputa tende a aumentar ainda mais o peso político da corrida.
Além dela, diferentes nomes do campo governista e da centro-esquerda são cogitados para a disputa, como Fernando Haddad (PT), Márcio França (PSB), Marina Silva (Rede) e Guilherme Boulos (PSol), o que pode gerar complexa negociação de alianças.
Pesquisas recentes também indicam que nomes ligados ao campo político de Lula aparecem entre os mais competitivos na corrida pelo Senado paulista, evidenciando o caráter estratégico da disputa.
DISPUTA AMPLIADA
No campo da direita, partidos e lideranças também se movimentam para definir candidatos bolsonaristas ao Senado. Entre os nomes mencionados nos bastidores políticos estão Ricardo Salles (Novo), Mário Frias (PL) e Marcos Feliciano (PL), além de possíveis articulações que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados no Estado.
O cenário indica que a eleição para o Senado em São Paulo poderá se transformar em uma das disputas mais competitivas do País, com forte impacto na composição futura do Congresso.
MOVIMENTO NO XADREZ DE 2026
A entrada de Simone Tebet na corrida paulista não é apenas decisão pessoal, mas um movimento estratégico dentro da arquitetura eleitoral do governo e dos aliados.
Ao lançar liderança nacional em São Paulo, o campo governista busca ampliar a presença política no Estado mais influente do País e fortalecer a base no Senado — Casa legislativa que tem papel central na próxima legislatura e na estabilidade institucional.
Isto porque o bolsonarismo elegeu como estratégia eleitoral fazer maioria no Senado, com propósito de emparedar o Supremo Tribunal Federal, com abertura de processos de impedimento de ministros da Corte.
Mais do que simples candidatura, o gesto indica que a disputa de 2026 já começou. E que o tabuleiro político brasileiro começa a ser reorganizado peça por peça.











