O deputado distrital João Hermeto de Oliveira Neto (MDB) é alvo de investigação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios e da Polícia Civil
Operação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios e da Polícia Civil colocou no centro das investigações o líder do governo de Ibaneis Rocha (MDB) na CLDF (Câmara Legislativa do Distrito Federal).
O deputado distrital João Hermeto de Oliveira Neto (MDB), conhecido como Hermeto, foi alvo de mandados de busca e apreensão no gabinete parlamentar e na residência dele.
A ação faz parte da Operação Blackboard, que apura esquema de corrupção que envolve contratos da Secretaria de Educação do Distrito Federal. Segundo os investigadores, o esquema pode ter provocado desvio de mais de R$ 46 milhões em recursos públicos.
As diligências ocorreram também em órgãos do governo e em endereços ligados a empresários suspeitos de participação no esquema, ampliando a dimensão da investigação.
ESQUEMA NA EDUCAÇÃO
De acordo com as apurações iniciais do Ministério Público, o grupo investigado teria atuado em contrato de locação de imóvel utilizado para funcionamento de escola pública.
O prédio fica em área comercial do bairro Candangolândia conhecida como Setor de Motéis, circunstância que chamou atenção das autoridades e reforçou suspeitas de irregularidades na contratação.
Os investigadores suspeitam que o contrato tenha sido marcado por superfaturamento, direcionamento e fraude em licitação, com pagamentos indevidos realizados com recursos destinados à educação pública.
Além do gabinete do parlamentar, mandados também foram cumpridos na própria Secretaria de Educação e em endereços de empresários envolvidos nas negociações.
PAPEL DO LÍDER DO GOVERNO
Na estrutura política da Câmara Legislativa, o líder do governo exerce função estratégica: é responsável por defender o Executivo no plenário, negociar votações e articular a base parlamentar que sustenta o governo local.
Por isso, o fato de a investigação atingir diretamente o líder do governo amplia o impacto político do caso. Nos bastidores da CLDF, a presença de investigadores nos gabinetes da Casa gerou tensão e abriu questionamentos sobre possíveis desdobramentos da operação.
Analistas políticos avaliam que episódios desse tipo tendem a produzir efeitos que vão além da esfera judicial, pois atingem a credibilidade da base governista e podem estimular pressões por investigações parlamentares.
DEFESA DO PARLAMENTAR
Por meio de nota divulgada após a operação, o deputado Hermeto negou qualquer irregularidade e afirmou que não possui ingerência sobre contratos administrativos da Secretaria de Educação.
“Não tenho qualquer gestão ou participação em contratos administrativos da Secretaria de Educação”, declarou o parlamentar, e acrescentou que essas decisões são de responsabilidade exclusiva do Poder Executivo.
O deputado também afirmou que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e colaborar com as investigações.
ALCANCE DA OPERAÇÃO
A Operação Blackboard mobilizou promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e contou com apoio de forças policiais e órgãos de investigação em diferentes estados.
Ao todo, foram expedidos dezenas de mandados de busca e apreensão, cumpridos no Distrito Federal e em outros Estados, em endereços ligados a empresários e empresas investigadas.
Segundo o Ministério Público, a apuração busca identificar toda a cadeia de responsabilidades no suposto esquema e recuperar recursos públicos eventualmente desviados.
IMPACTO POLÍTICO
O episódio ocorre em momento sensível da política do Distrito Federal e pode produzir efeitos na relação entre Executivo e Legislativo locais.
Embora a investigação ainda esteja em fase inicial, o fato de atingir o principal articulador político do governo na Câmara Legislativa amplia o potencial de desgaste para a administração de Ibaneis Rocha.
A propósito, esse fato colhe o governo num momento em que o chefe do Executivo está isolado. Ele deverá ser candidato ao Senado, agora sem o apoio do bolsonarismo, que franqueou apoio às pré-candidaturas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e à deputada federal Bia Kicis (PL-DF).
Por enquanto, o Ministério Público ressalta que investigação não significa condenação e que os fatos ainda estão sendo apurados. Mas o avanço das diligências indica que o caso deve permanecer no centro do debate político do Distrito Federal nas próximas semanas.











