Sabotagem de Netanyahu a cessar-fogo e negociações tem repúdio mundial

Escombros se espalham por todo o Líbano (David Gutenfelder-NYT)

“As Nações Unidas condenam veementemente os ataques de Israel em todo o Líbano, que resultaram em um número significativo de vítimas civis. Continuamos a apelar para que utilizem os canais diplomáticos, cessem as hostilidades e reafirmem o seu compromisso com a plena implementação da resolução 1701[que estabeleceu o cessar-fogo entre Israel e Líbano] do Conselho de Segurança”, declarou o porta-voz adjunto da Secretaria-Geral da ONU, Farhan Haq.

Ele também denunciou que “ontem, as Forças de Defesa de Israel (IDF) detiveram um soldado de paz da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) após bloquearem um comboio logístico. Após contatos diretos e imediatos entre o Chefe da Missão e o Comandante da Força da UNIFIL e nosso Departamento de Ligação, o soldado de paz foi libertado em menos de uma hora. Tal detenção de um soldado de paz das Nações Unidas constitui uma violação do direito internacional e afronta o acordo de paz”.

NETANYAHU INSISTE EM QUE O LÍBANO NÃO FAZ PARTE DO ACORDO

Horas antes dos bombardeios israelenses feitos contra a capital libanesa, Beirute, e outros locais no sul do país nesta quarta-feira (08), Netanyahu nega que o Líbano fizesse parte do acordo.

No entanto, a inclusão do país havia sido declarada pelo Paquistão, que mediou as negociações.

Sem se importar com os fatos, com as regras internacionais, nem com as negociações, Netanyahu afirmou, nesta quinta-feira (09), que continuará atacando o Hezbollah, na verdade uma das principais forças políticas e de resistência do Líbano.

A declaração, dada um dia após as Forças Armadas israelenses anunciarem a “maior onda de bombardeios” feitos contra o Líbano, em meio ao cessar-fogo entre os EUA e o Irã, foi postada em seu perfil na rede social Facebook.

É o próprio Israel que assume que esses ataques tiveram como alvo mais de 100 centros de comando e instalações militares em Beirute.

O Ministério da Saúde do Líbano informou na quinta-feira que o número de mortos nos ataques israelenses do dia anterior em todo o país subiu para 303.

Ressaltou que o número não é definitivo e que deve continuar aumentando à medida que as equipes de resgate seguem recuperando corpos dos escombros.

O ministério acrescentou que o número total de mortos desde 2 de março chegou a 1.888, com mais de 6.000 feridos.

“ISRAEL INTENSIFICA SEUS CRIMES DE GUERRA”

Além disso, o porta-voz da ONU não está sozinho em seu repúdio ao massacre israelense. A Relatora Especial das Nações Unidas para os Territórios Palestinos Ocupados, Francesca Albanese, denunciou que Israel continua a intensificar sua ofensiva contra o Líbano, “como tem feito contra os palestinos há décadas”.

“Enquanto a trégua na agressão militar israelense-americana contra o Irã entra em vigor, Israel intensifica seus crimes de guerra no Líbano com a mesma sede de vingança que exerce há décadas contra os palestinos”, publicou ela em sua conta no X, nesta quarta-feira (08).

Albanese observou que “os crimes israelenses continuam sendo uma ameaça à paz na região e além” e insistiu que “eles devem parar e ser punidos”.

Em um post na rede social X, nesta quinta (09), a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, também condenou a decisão de Israel de seguir os ataques. Afirmou que o acordo de cessar-fogo fechado entre os EUA e o Irã deveria, sim, se estender ao Líbano.

“As ações israelenses estão colocando o cessar-fogo entre os EUA e o Irã sob forte pressão. A trégua com o Irã deveria se estender ao Líbano. Os ataques israelenses mataram centenas de pessoas na noite passada, tornando difícil argumentar que tais ações brutais se enquadram em legítima defesa”, afirmou.

OS CRIMES ISRAELENSES SÃO REPUDIADOS NA EUROPA 

As condenações contra os crimes de Israel se estendem pela Europa. O bombardeio israelense ao Líbano foi “profundamente prejudicial”, e o conflito precisa terminar para evitar que o cessar-fogo entre os EUA e o Irã seja desestabilizado, disse a ministra das Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper, à Times Radio na quinta-feira, 09, deixando os aliados de Trump cada vez mais escassos.

“Queremos que o Líbano seja incluído no cessar-fogo. Queremos que ele seja estendido para abranger o Líbano, porque, caso contrário, isso desestabilizará toda a região”, acrescentou ela.

Cooper também denunciou as ameaças feitas na terça-feira pelo presidente dos EUA, Donald Trump, de que “toda uma civilização morrerá” se não for alcançado um acordo para pôr fim ao conflito.

“Acho que a retórica que vimos ser usada está completamente errada”, disse ela à Sky News. “Esse tipo de retórica inflamada pode ter consequências igualmente inflamadas.”

ESPANHA REABRE EMBAIXADA EM TEERà

Além disso, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, acusou Israel de violar o direito internacional ao realizar ataques aéreos no Líbano na quarta-feira.

A Espanha se destacou como uma das nações ocidentais mais críticas às operações Roaring Lion e Epic Fury, dos EUA e de Israel, no Irã e no Líbano, fechando seu espaço aéreo a qualquer aeronave envolvida em um conflito que Madri classificou como imprudente e ilegal.

“Ontem vimos como Israel, desrespeitando o cessar-fogo e violando o direito internacional, lançou centenas de bombas sobre o Líbano”, disse Albares aos parlamentares da Câmara dos Deputados.

Na quinta-feira, Albares anunciou que a Espanha reabriria sua embaixada em Teerã na esperança de alcançar a paz na região.

“Instruí nosso embaixador em Teerã a retornar, reassumir seu cargo e reabrir nossa embaixada, e a nos unirmos a esse esforço pela paz em todas as frentes possíveis, inclusive na própria capital iraniana”, disse Albares a repórteres.

JÁ A ITÁLIA DEFENDE O ESTREITO DE ORMUZ

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou que restaurar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz é de vital importância para o seu país e para toda a União Europeia.

“Já estamos trabalhando com a coalizão liderada pelo Reino Unido para o Estreito de Ormuz, que inclui mais de 30 países, para tentar criar condições de segurança que permitam o restabelecimento total da liberdade de navegação e abastecimento”, acrescentou ela.

“Estivemos a um passo do ponto sem retorno, mas agora enfrentamos uma perspectiva frágil de paz que deve ser buscada com determinação”, disse Meloni ao parlamento, acrescentando que a Itália condena qualquer violação do cessar-fogo e pede o fim permanente das hostilidades.

NECESSIDADE DE GARANTIR ACORDO DE CESSAR-FOGO

Nos Estados Unidos, o deputado democrata Robert Garcia enfatizou a necessidade urgente de intervenção diplomática, afirmando: “Os EUA devem garantir que qualquer acordo de cessar-fogo inclua o Líbano. Netanyahu está bombardeando Beirute brutalmente, matando civis e destruindo infraestrutura crítica. Esta guerra regional precisa terminar agora.”

O deputado Jim McGovern ecoou esse sentimento em uma postagem no Twitter, abordando diretamente o papel do presidente dos EUA na crise: “O bombardeio contínuo de Netanyahu ao Líbano, que tem matado civis há semanas, ameaça mergulhar a região em um caos ainda maior e desfazer o cessar-fogo. Trump precisa se opor a Netanyahu. Ele precisa salvar o acordo que negociou. Ele tem poder de barganha. Ele deveria usá-lo!”

NETANYAHU, O FARSANTE

Diante da pressão internacional crescente, Netanyahu passou a dizer que quer negociação imediata e direta com o governo libanês sem anunciar o cessar-fogo mundialmente exigido.

Informações divulgadas pelo jornal israelense Haaretz, afirmam que segundo os israelenses, “as negociações têm como foco desarmar a Resistência Libanesa, Hezbollah, com Israel ocupando o Líbano ao sul, até as margens do rio Litani e mantendo seu poderio bélico sustentado pelos Estados Unidos.

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