Assembleia Popular convocada pela Confederação Sindical Única de Trabalhadores e movimentos sociais exige medidas imediatas para tirar o país em que o neoliberalismo e a corrupção mergulharam o país
A Assembleia Popular (cabildo) realizada neste sábado (11), em El Alto, deu um ultimato de 15 dias ao presidente da Bolívia, Rodrigo Paz Pereira, para que reverta o caos e econômico e social em que o neoliberalismo e a corrupção mergulharam o país nos poucos meses em que governa ou renuncie.
Entre a série de reivindicações sociais e econômicas defendida pelos dirigentes da Confederação Unificada dos Trabalhadores Camponeses da Bolívia (CSUTCB) e dos movimentos sociais que organizaram o evento está a resolução do contrato dos combustíveis – que além de caros são de péssima qualidade”; o fim da repressão às entidades populares e a exigência de titulação imediata de terras para as comunidades que não receberam resposta do Estado, mergulhadas em corrupção e injustiça. Outro ponto urgente, assinalaram, é a reversão de concessões de terras que não cumprem sua Função Socioeconômica (FSE) e se encontram nas mãos de grileiros.
Concentrada próxima à estação da Linha Vermelha do Teleférico, a multidão reiterou que se o executivo não responder dentro do prazo estabelecido, exigirá a extensão da renúncia das autoridades do governo e, também, do legislativo.
O documento afirma que, caso não haja uma “verdadeira disposição para trabalhar em conjunto com as comunidades organizadas”, será dado um ponto final ao mandato presidencial iniciado em novembro de 2025. O alerta inclui representantes dos setores camponês, indígena, nativo, intercultural, de transportes e sindical.
Durante os discursos dos líderes sociais, as reivindicações foram feitas não apenas contra o presidente Rodrigo Paz e parlamentares, mas também contra o vice-presidente Edmand Lara. Paz foi criticado por suas leis e decretos que, segundo os manifestantes, prejudicam a sociedade. Lara foi repreendido por não comparecer à assembleia de sábado.
Para Luisa Villca, líder do movimento camponês Bartolina Sisa, a assembleia representa o início de uma luta contra as “injustiças do governo”. Em alto e bom som, a dirigente sublinhou a relevância da unidade e da mobilização para virar a página de retrocessos, sendo ovacionada pelos presentes. “Que renuncie o presidente que atua contra os camponeses”, enfatizou, sob aplausos.
O líder dos sindicatos de La Paz, Rubén Santos, ecoou o apelo, exigindo união entre os setores sociais e criticando os líderes que não compareceram à assembleia. “Quando o vice-presidente Lara diz que participaria desta assembleia aberta, mas depois, quando lhe convém, não aparece, ele se esquiva. Deveria simplesmente se afastar”, exigiu. Santos insistiu na urgência de que sejam atendidas as reivindicações apresentadas para que o país volte a caminhar para frente, distante do retrocesso.
Entre os “feitos” de Rodrigo Paz está retirar o símbolo pátrio, representativo da unidade na diversidade nacional – a Whipala – das instituições públicas; retomar as relações com o estado genocida de Israel; prender o ex-presidente Luis Arce (2020-2025) e ser fantoche de Trump no “Escudo das Américas”, atuando contra a integração regional e pela submissão ao imperialismo de Trump.











