Petrobrás retoma produção de ureia em fábrica de fertilizantes em Araucária (PR)

Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA) no Paraná estava paralisada desde 2020. Foto: Michel Chedid/Petrobrás

Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA) foi colocada à venda por Jair Bolsonaro

A Petrobrás divulgou na quinta-feira (30) que a Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA) iniciou a primeira produção de ureia desde a retomada da fábrica localizada no Paraná, que foi colocada à venda no governo Bolsonaro. A fábrica esteve hibernada desde 2020.

Com o retorno de Lula ao Palácio do Planalto, além da Ansa, as unidades Fafen-BA (Bahia) e Fafen-SE (Sergipe) também tiveram suas atividades retomadas, com o início da produção em dezembro de 2025 e janeiro de 2026, respectivamente. A ação visa assegurar o fornecimento de insumos fundamentais à agricultura brasileira.

Atualmente, os fertilizantes importados suprem cerca de 80% da demanda interna anual. Com a nova crise no comércio global desses insumos, impulsionada pelas agressões dos EUA contra o Irã, os preços do insumo voltaram a registrar fortes altas no mercado internacional.

A Ansa possui uma capacidade de produção anual de 720 mil toneladas de ureia, volume que representa aproximadamente 8% do mercado nacional. Além disso, a unidade produz 475 mil toneladas de amônia e 450 mil m³ de Agente Redutor Líquido Automotivo (ARLA 32) por ano.

Para o diretor industrial e presidente interino da Ansa, Marcelo dos Santos Faria, “a Ansa volta a produzir ureia em um momento em que ampliar a capacidade interna desse insumo é cada vez mais relevante para o Brasil”.

“Com as Fafens e, agora, a Ansa em pleno funcionamento, reduzimos a dependência externa de ureia e fortalecemos a cadeia produtiva do agronegócio e da indústria nacional. O setor de fertilizantes é estratégico para a Petrobrás, e estamos retomando investimentos com base em estudos de viabilidade técnica e econômica”, afirma Santos Faria.

A reativação da Ansa contou com investimentos da ordem de R$ 870 milhões e integra o plano da estatal de retorno ao segmento de fertilizantes. 

Desde a retomada das atividades em 2024, a fábrica passou por um amplo ciclo de preparação, que incluiu manutenções, inspeções técnicas, testes operacionais, recomposição de equipes e contratação de serviços. Esse processo gerou mais de 2 mil empregos durante a fase de mobilização, além da manutenção de cerca de 700 postos de trabalho diretos na operação regular da unidade.

A Petrobrás também avança na conclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), situada em Três Lagoas (MS), com operação comercial estimada para 2029. Com a nova planta, a direção da estatal projeta atender em torno de 35% do mercado interno de ureia.

RECORDE NA PRODUÇÃO DE PETRÓLEO E GÁS

A Petrobrás também informou na quinta-feira (30) que a produção de petróleo e gás pela estatal atingiu um recorde para o primeiro trimestre, 3,23 milhões de barris de óleo equivalente por dia (MMboed). Alta de 16% na comparação com os primeiros três meses de 2025 e um crescimento de 3,7% na comparação com o trimestre anterior (4º tri de 2025). 

Excluindo a produção no exterior, a produção interna de óleo e gás natural foi de 3,197 milhões de barris.

Com a utilização total do parque de refino da Petrobrás em 95% no período, a produção total de derivados de petróleo cresceu 6,7% na comparação com o último trimestre do ano passado, alcançando 1,81 milhão de barris por dia. O diesel e o querosene de aviação (QAV) foram responsáveis por 68% da produção.

“Ressalta-se ainda que a maior produção possibilitou o aumento das vendas de derivados produzidos, reduzindo as importações”, afirma a Petrobrás, em nota. “No 1T26, a Petrobrás teve o menor volume de importação de GLP (26 Mbpd). A conquista se deve à produção do Complexo de Energias Boaventura, que, em conjunto com a maior utilização do parque de refino, tem elevado a oferta total do derivado e contribuído para a redução da dependência do produto importado”.

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