Vorcaro comemora que Ciro Nogueira lhe obedeceu e a “emenda saiu exatamente como mandei”

Ciro Nogueira (PP-PI) e o dono do Master, Daniel Vorcaro (Fotos: Divulgação - Lula Marques

Ciro, que recebia R$ 500 mil de mesada do dono do Banco Master, atendeu o chefe. Flávio Bolsonaro contava com ele para ser seu vice

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, celebrou que uma emenda apresentada pelo senador bolsonarista Ciro Nogueira (PP-PI) “saiu exatamente como mandei”. O texto favorecia diretamente o Master.

Segundo a Polícia Federal, Ciro Nogueira recebia uma mesada de até R$ 500 mil de Daniel Vorcaro para agir conforme os interesses da organização criminosa.

O texto, “elaborado pela assessoria do Banco Master”, de uma emenda parlamentar foi enviado em um envelope para a casa do senador bolsonarista, que o apresentou “de forma integral”, continuou a PF.

A emenda aumentaria de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o valor coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para depositantes individuais. Dessa forma, o grupo queria incentivar as pessoas a colocarem mais dinheiro em aplicações como as oferecidas pelo Banco Master.

O banqueiro pagou parte da propina para Ciro Nogueira por meio de um negócio de fachada entre a empresa BRGD S.A., do tio de Daniel Vorcaro, Oscar Vorcaro, e a CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., administrada pelo irmão de Ciro Nogueira, Raimundo Neto Nogueira Lima.

MILÍCIA DIGITAL TINHA ORÇAMENTO DE R$ 8 MILHÕES

Quando da liquidação do Banco Master e do início das investigações contra Daniel Vorcaro, o banqueiro começou o “Projeto DV”, contratando influenciadores digitais para que se posicionassem contra o Banco Central e a favor do Master.

Os contratos chegavam a R$ 8 milhões, mas nem tudo foi utilizado porque a movimentação foi percebida e passou a ser investigada pela PF. O projeto era tocado pela agência Mithi, do publicitário Thiago Miranda.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o “Projeto DV” passava para as páginas indicações específicas de quais seriam as publicações, com títulos, textos, fotos e roteiros para vídeos.

Ao todo, os pagamentos chegaram a R$ 3,5 milhões entre dezembro de 2025 e 5 de janeiro de 2026. Thiago Miranda vai prestar depoimento à Polícia Federal na terça-feira (12).

A agência publicitária passou ao site GPS Brasília, que tem 182 mil seguidores no Instagram, a orientação de que deveria manter um “tom liberal clássico, em defesa da livre iniciativa, institucional” e utilizar o título “Fim da gestão Renato Gomes: um erro caro para o sistema financeiro” para atacar o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central que impediu a compra do Banco Master pelo BRB.

O GPS Brasília publicou em seu site o texto “Renato Gomes e um Banco Central fragilizado por decisões erradas” e no seu instagram deu o título “Saída de Renato Gomes do BC deixa indícios de um erro caro para o sistema financeiro”.

Para isso, o portal receberia R$ 1,2 milhão, dividido em parcelas mensais de R$ 100 mil.

Já o jornalista Luiz Bacci, que tem mais de 24 milhões de seguidores no Instagram, foi contratado por R$ 3 milhões, divididos em seis meses, para fazer 30 postagens mensais defendendo Daniel Vorcaro no caso Master.

Em uma das publicações, Bacci escreveu que Renato Gomes expunha um Banco Central “sem critério claro” e “seletivo”. “Quando era conveniente, os processos se arrastaram. No caso envolvendo o BRB, foram cerca de sete meses de análise até a negativa”, escreveu em suas redes sociais.

Outra conta no Instagram, o Not Journal, receberia R$ 30 mil por mês para fazer 12 publicações mensais com “tom acadêmico, sóbrio e institucional, com foco na eficiência de mercado”.

O Not Journal falou que “a gestão de Renato Gomes foi marcada por mudanças regulatórias constantes, decisões concentradas e um nível de ruído institucional incompatível com o papel da autoridade monetária”.

A conta Charles Costa Oficial, com quase 700 mil seguidores, recebeu pagamentos de R$ 35 mil e fez postagens falando sobre um “estrago no mercado financeiro” causado por Renato Gomes.

A Folha ainda cita que o influenciador Cardoso Mundo recebeu R$ 200 mil para defender Vorcaro. O perfil conta com 4,6 milhões de seguidores. As postagens sobre o tema foram excluídas.

A conta de fofoca Alfinetei, seguida por 25 milhões de pessoas, ganhou R$ 500 mil. O perfil Marcelo Rennó, com 1,2 milhão de seguidores, ganhou R$ 78,4 mil.

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