“Não queremos um modelo miniatura das potências. Temos que buscar solução própria”, diz comandante do Exército

Comandante do Exército, general Tomás Ribeiro Paiva (Foto: Reprodução - Youtube - CNN)

A Força tem como prioridade a “proteção dos interesses nacionais”. “E eu falo de tudo: de infraestruturas críticas, das nossas reservas e da nossa população”, afirmou o general

O general Tomás Ribeiro Paiva, comandante do Exército, defendeu que a Força amplie sua “capacidade de dissuasão incorporando tecnologia militar avançada”, tendo como base a indústria nacional de defesa.

O Exército “está otimista” com a recuperação da Avibrás, assinalou. “A Avibrás voltando ao mercado é estratégica. Tem um sistema de mísseis e foguetes bastante interessante, com coisas muito modernas, com mais letalidade e precisão”.

Em sua participação no WW Talks, organizado pela CNN, o comandante afirmou que o Exército compreende como prioridade a “proteção dos interesses nacionais. E eu falo de tudo: de infraestruturas críticas, das nossas reservas e da nossa população”.

Nesse sentido, a Força busca “desenvolver tecnologias inovadoras que fortaleçam a soberania, impulsionem a indústria nacional e preparem o Brasil para os desafios futuros”.

Além disso, projeta “fomentar a base industrial de defesa, bem como a sua ligação com o setor acadêmico” e “modernizar o Exército com capacidades avançadas, como Inteligência Artificial, sistemas autônomos e defesa cibernética”.

Tomás Ribeiro Paiva ressaltou que o Exército Brasileiro precisa “modernizar, adquirir ou desenvolver” drones, sistemas não tripulados, artilharia antiaérea, antidrones e antimísseis e tecnologias para guerra eletrônica e cibernética.

Para ele, “não adianta a gente querer buscar um modelo que seja uma miniatura das potências sobressalentes. A gente tem que buscar uma solução própria e seletividade para vermos no que a gente é bom e garantir fazer o melhor”.

O general citou os centros de engenharia das Forças Armadas, como o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), e outros civis, como a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). “Esses são nichos de tecnologia em que valem à pena investir para a parte militar”, afirmou.

Ribeiro Paiva avalia que o Brasil tem um centro de defesa cibernética “muito bom” e com a “capacidade de uma potência protagônica”, sendo essa “uma área que a gente pode crescer e se desenvolver”.

Outro eixo com potencial de crescimento é a produção de munição, que já conta com a estatal Imbel. “A gente acha que tem espaço para isso crescer”, continuou, acrescentando que o Exército tem como projeto a criação de uma empresa estratégica de defesa.

“Se, por um lado, é difícil competir com os atores globais que dominam o mercado de defesa, por outro lado a demanda está muito grande, ninguém mais tem material na prateleira”, afirmou.

INSUMOS ESTRATÉGICOS E DESGLOBALIZAÇÃO

Na avaliação do general Tomás Paiva, a nova realidade global tem como característica a corrida entre os países para acesso a insumos críticos, como as terras raras, o petróleo e o gás natural.

No caso das terras raras, os Estados Unidos já trabalham para se apropriar das jazidas do Brasil ao financiar a compra da única mina em atividade, localizada em Goiás, pela USA Rare Earth.

Ao mesmo tempo, a “disputa tecnológica se torna central”, continuou o comandante, que destacou a importância de garantir “superioridade de informações”, e o comando e controle, inclusive com uso de tecnologias redundantes e analógicas.

Por isso, o Exército tem como ponto central para o próximo período a estratégia de “fomentar pesquisa em tecnologia crítica” e “empregar novas tecnologias para acelerar o processo decisório”.

Tomás Ribeiro Paiva comentou que o mundo entrou, a partir de 2008, em uma fase com a ascensão da China e o fortalecimento da Rússia.

Nesse cenário, houve uma “desglobalização relativa” com os países percebendo “que dependência levava à falta de produtos estratégicos diante da crise” e potências impedindo o acesso de outros países a insumos e produtos, como terras raras e semicondutores.

No WW Talks, ele ainda sublinhou a “importância estratégica do Brasil no tabuleiro geopolítico”, sendo o Brasil uma das maiores economias do mundo, o “quinto país em extensão territorial, sétimo em população, primeiro em biodiversidade, primeiro no agro, primeiro em água doce e segundo em elementos de terras raras”.

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