Alto custo do gás ianque já fechou fábrica da Volks em Dresden e outras unidades da Basf e Bosch
A Volkswagen planeja cortar até 100 mil empregos globais nos próximos anos e fechar quatro fábricas na Alemanha. A previsão foi revelada em relatórios internos obtidos pela revista alemã Manager Magazin e confirmada por agências internacionais de notícias.
Os cortes propostos pelo presidente-executivo da montadora, Oliver Blume, devem atingir cerca de 15% da força de trabalho do grupo.
A medida marca uma intensificação do programa de corte de custos da companhia que já tinha um acordo firmado para eliminar 50 mil vagas na Alemanha até 2030. A nova proposta adiciona mais 50 mil demissões ao plano original.
A Volkswagen emprega mais de 667.000 pessoas em todo o mundo, quase metade delas na Alemanha. No entanto, a empresa foi obrigada a reduzir a produção no país desde 2022, quando a decisão do então primeiro-ministro Olaf Scholz, depois mantida pelo sucessor Friedrich Merz, de abandonar as importações de gás russo em favor do caro gás natural liquefeito (GNL) norte-americano deixou o setor em dificuldades devido ao aumento dos custos de energia. A submissão aos EUA levou a economia alemã a passar por dois anos de contração seguidos por dois anos de crescimento inferior a 1%.
Os planos prevêem o encerramento das atividades nas unidades automotivas alemãs de Hanover, Zwickau e Emden, além da fábrica da Audi em Neckarsulm.
O movimento da montadora também reflete as dificuldades mais amplas da indústria alemã. A Mercedes-Benz planeja discutir cortes de custos mais profundos com representantes trabalhistas, enquanto a BMW emitiu neste mês um forte alerta de lucro em queda, que derrubou suas ações.
Com os custos de energia corroendo os lucros da Volkswagen, os veículos elétricos da empresa não conseguem mais competir com as ofertas de suas rivais chinesas. Outrora a montadora dominante na China, a Volkswagen agora vende menos veículos no país do que as marcas nacionais BYD e Geely. Na Europa, a BYD e outras marcas chinesas como Chery, SAIC e Leapmotor dobraram sua participação de mercado no último ano.
A Volkswagen já fechou uma fábrica de montagem de automóveis em Dresden, em dezembro passado – a primeira vez que fechou uma fábrica na Alemanha em seus noventa anos de história. A BASF, a Bosch, a Continental e mais de uma dúzia de outros fabricantes alemães fecharam uma ou mais instalações nos últimos quatro anos.
TRABALHADORES COMBATEM AS DEMISSÕES EM MASSA
A proposta de cortes radicais será apresentada oficialmente ao Conselho de Supervisão da Volkswagen em uma reunião estratégica marcada para o dia 9 de julho.
De acordo com uma reportagem separada da revista alemã Manager Magazin, a empresa também está considerando um corte de 15% nos investimentos nos próximos cinco anos.
No entanto, a implementação integral do projeto enfrentará forte resistência política e trabalhista. O sindicato alemão IG Metall e o Conselho de Trabalhadores da montadora já emitiram comunicados garantindo que vão combater as demissões em massa e o fechamento das fábricas com todas as forças. Além disso, representantes dos trabalhadores e o governo regional da Baixa Saxônia detêm assentos decisivos no conselho de administração, o que historicamente costuma suavizar ou atrasar metas de demissões na empresa.











