Após devastar 90% da Faixa, assassinar mais de 73 mil habitantes e ferir 173.800, tropas são enviadas ao local da manifestação dos assaltantes, incluindo parlamentares e ministros de extrema direita
Ministros e parlamentares nazisraelenses participaram, neste domingo (19), de uma marcha em direção a Gaza pelo reassentamento judaico na Faixa.
Afrontando as deliberações das Nações Unidas, que exigem o fim da matança na Faixa de Gaza e a retirada das tropas de Israel da região, tropas foram enviadas até o local da manifestação supremacista por seus comandantes para proteger ministros como o da Segurança Nacional, Ben Gvir, e das Finanças, Bezalel Smotrich. “Todos nós precisamos nos mobilizar agora”, defendeu Smotrich, alertando que, se “a esquerda” chegar ao poder, “tudo isso poderá ser desfeito”.
O fato é que a política de terra arrasada do primeiro-ministro de Israel ceifou a vida de mais de 73.200 palestinos, deixando mais de 173.800 feridos desde o início da covarde agressão à Faixa de 2,3 milhões de habitantes em outubro de 2023.
Conforme a ONU, milhares de corpos ainda continuam sob os escombros, com as agências humanitárias alertando que o número de pessoas com mutilações e traumas permanentes alcança dezenas de milhares. E não para de crescer devido à ocupação de 70% do território de aproximadamente 365 km². A estreita faixa de terra é de cerca de 41 km de comprimento com e largura variando entre seis e 12 quilômetros.
“Apagamos a vergonha da expulsão no norte de Samaria [refere-se à conquista do Reino de Israel pelo Império Assírio em 722 a.C., que resultou na destruição da capital Samaria e na deportação em massa de seus habitantes, situação que não tem absolutamente nenhuma relação com terras devolvidas aos palestinos pelo acordo de Dois Estads firmado por Rabin e Arafat] e, com a ajuda de Deus, faremos o mesmo aqui na Faixa de Gaza, com determinação e perseverança”, disse Smotrich, referindo-se aos assentamentos recém-aprovados na região norte da Cisjordânia – área que também foi desocupada de colonos durante a retirada israelense de 2005, assim como Gaza.
“Eles reverterão toda a revolução sionista e nacional de assentamentos que promovemos durante este mandato”, acrescentou o ministro das Finanças.
As forças de segurança no local tiveram dificuldades para controlar as centenas de participantes, muitos dos quais eram mulheres e crianças. Muitos participantes contornaram as barreiras policiais e seguiram a pé em direção à praia, passando pelas colinas ao redor.
A marcha foi organizada pelo movimento Nachala – um grupo israelense veterano que defende o estabelecimento de assentamentos em Gaza e na Cisjordânia – sob o lema “Retorno para casa após 21 anos”. Em 2005, quando 21 assentamentos foram desmantelados e milhares de colonos foram evacuados da região. Os organizadores afirmam que o objetivo é “a renovação do assentamento judaico em Gaza antes das eleições”.
O movimento Nachala é liderado por Daniella Weiss, ativista veterana que defende a ferro e fogo a recolonização judaica das terras palestinas e esteve à frente do “movimento de assentamentos” Gush Emunim. Facínora, Weis ganhou projeção em um documentário da BBC sobre os colonos da Cisjordânia, lançado em abril, e também em uma entrevista com o comentarista britânico Piers Morgan. O Canadá e o Reino Unido impuseram sanções a Weiss devido ao seu papel no apoio e na promoção da violência contra palestinos.
Os organizadores também afirmaram que a marcha acontece em meio às declarações do Ministro da Defesa, Israel Katz, sobre sua intenção de estabelecer três assentamentos militares em Gaza.











