No mais grotesco estilo macartista Marco Rubio lança ‘relatório’ no qual acusa Cuba de praticar ‘subversão’ nos EUA
O governo cubano e entidades progressistas norte-americanas rechaçaram o recém lançado “Relatório Rubio” sobre a “subversão de Cuba nos EUA” como uma campanha difamatória e macartista para ameaçar a ilha e justificar o genocídio através da intensificação do bloqueio e, internamente aos EUA, para desencadear uma onda de repressão aos que se manifestam pelos direitos civis e contra o fascismo, racismo e xenofobia, numa versão século XXI do famigerado Cointelpro.
“Cuba rejeita, nos termos mais veementes, o relatório publicado em 20 de julho pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos sobre a alegada influência subversiva de Cuba contra os Estados Unidos. Trata-se de um panfleto de propaganda medíocre”, respondeu o Ministério das Relações Exteriores da ilha revolucionária.
“Busca reforçar a mensagem mentirosa de que Cuba constitui uma ameaça aos Estados Unidos, pretexto que o governo estadunidense utiliza para punição coletiva e genocídio contra o povo cubano”, visando “fabricar apoio para uma potencial agressão militar.”
“É hipócrita o Departamento de Estado acusar Cuba de promover a subversão quando é notório que o governo dos EUA destina dezenas de milhões de dólares do seu orçamento federal anualmente para subverter a ordem interna em Cuba, provocar fome e desespero e derrubar o governo cubano”, acrescenta o comunicado.
“Este é o mesmo governo com um histórico sórdido de interferência e violações do direito internacional, realizando execuções extrajudiciais em águas internacionais, praticando assassinatos políticos, patrocinando atos de genocídio, atacando nações soberanas em todos os continentes e interferindo nos processos eleitorais de Estados soberanos”.
“É também hipócrita persistir na mentira de rotular Cuba como um Estado patrocinador do terrorismo. É evidente que nem este nem qualquer outro relatório pode apresentar qualquer prova, nem mesmo o menor indício, para tal acusação ilegítima, porque tal prova não existe, como é do conhecimento das próprias agências especializadas do governo dos EUA.”
E – acrescenta – é, contudo, “notório que aqueles que financiam, organizam e instigam atos violentos e terroristas contra Cuba encontram proteção e total impunidade em solo americano”.
MACARTISMO OUTRA VEZ
A declaração repudia, ainda, a farsa de Washington sobre o “terrorismo de esquerda” atribuído aos que se opõem ao genocídio, racismo e fascismo. “Buscam atacar qualquer traço progressista, compromisso social ou expressão de esquerda, tanto dentro quanto fora dos Estados Unidos, aumentar a repressão e estabelecer um neomacartismo.”
“O objetivo é, em particular, reprimir e atacar a própria população americana e intimidar aqueles que expressam solidariedade, incluindo aqueles que denunciam a agressão injusta de seu governo contra Cuba. Reconhece-se que a oposição ao embargo energético, ao estrangulamento da economia cubana e à ameaça de agressão militar está crescendo nos Estados Unidos, inclusive entre os cubanos que lá vivem e seus descendentes.”
O comunicado enfatiza que Washington persiste em questionar “os laços de Cuba com outras nações soberanas, como se o direito internacional tivesse desaparecido”. “Manipula e distorce a história amplamente reconhecida de solidariedade, ativismo anticolonialista e internacionalismo de Cuba, inclusive dentro dos Estados Unidos”, como expresso na votação que se repete a cada ano na ONU contra o bloqueio.
“Como sempre fez, Cuba continuará a cultivar relações amistosas com o povo e as instituições americanas, em estrita observância ao direito internacional, à Carta das Nações Unidas e à Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas.”
COINTELPRO 2.0
Referências explícitas no Relatório Rubio, nomeando entidades e personalidades progressistas americanas que recentemente foram a Cuba levar solidariedade diante do agravamento do bloqueio, têm provocado alertas sobre uma operação Cointelpro 2.0, a reedição da perseguição aos manifestantes e organizações a favor do fim do apartheid nos EUA e contra a guerra, que o FBI de Edgar Hoover cometeu por quase duas décadas, e que visou Martin Luther King e Malcom X, entre outros.
O “Relatório” cita inclusive que o Comboio Nuestra América de março de 2026 incluía “um grupo de progressistas influentes dos Estados Unidos e do mundo todo, incluindo Hasan Piker; Christian Smalls, fundador do Sindicato Trabalhista da Amazon; uma delegação dos Socialistas Democráticos da América; o ex-líder do Partido Trabalhista do Reino Unido, Jeremy Corbyn; o ex-vice-primeiro-ministro espanhol Pablo Iglesias; vários outros membros atuais e ex-membros do Parlamento Europeu; e Isra Hirsi, ativista do campus e filha da deputada democrata Ilhan Omar”. Em outros lugares, mira grupos como a organização pacifista CodePink, Partido Comunista dos EUA, o Sindicato Nacional dos Advogados e outros.
“Esta última tentativa do Departamento de Estado é apenas uma das muitas caças às bruxas politicamente motivadas para silenciar vozes anti-guerra que ousam desafiar o militarismo dos EUA. Trata-se de justificar ainda mais agressão contra Cuba enquanto transforma defensores da paz em suspeitos. Já vimos esse manual antes. É macartismo, simples assim”, reagiu CodePink, cuja mais conhecida liderança é Medea Benjamin.
“O CodePink está atualmente sob investigação pelo Departamento do Tesouro simplesmente por trazer suprimentos médicos para hospitais infantis em Cuba. Vivemos em um mundo onde, infelizmente, são as pessoas que entregam os remédios — e não aquelas que aplicam as políticas que privam os cubanos de remédios, alimentos, combustível e eletricidade — estão sob investigação”, observou o grupo.
ORGULHOSAMENTE AO LADO DA MAIORIA GLOBAL
“Estamos orgulhosamente ao lado da maioria global, incluindo 187 países membros da ONU, que se opõem ao desumano bloqueio americano a Cuba. Não seremos intimidados por entregar ajuda humanitária e defender a diplomacia em vez da guerra”, subinhou CodePink
“Acabem com o bloqueio. Acabem com as sanções. Acabar já com a guerra econômica. Acabem com as ameaças de intervenção militar. Que os cubanos decidam seu próprio futuro. Mãos longe de Cuba”.
O escritor e diretor da organização Defending Rights & Dissent, Chip Gibbons, se somou ao repúdio ao abjeto relatório, assinalando que “ao longo de suas 100 páginas, a publicação chega ao ponto de citar relatórios do há muito desacreditado Comitê de Atividades Antiamericanas da Câmara, para reviver absurdas teorias conspiratórias da Guerra Fria e atualizá-las”.
“O relatório difama ativistas, organizações e até autoridades eleitas usando técnicas de culpa por associação. Parece ser projetado para justificar tanto a repressão política interna quanto a mudança de regime em Cuba”, acrescentou. “O Congresso deve não apenas condenar o relatório, mas também realizar audiências para examinar sua autoria e determinar se as alegações por trás dele foram usadas para facilitar a vigilância sobre ativistas americanos”.











