A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, respondeu nesta quinta-feira (23) aos ofensivos comentários do novo comandante-chefe das Forças Armadas da Ucrânia, Mikhail Drapaty, que disse, em entrevista à imprensa ucraniana, que o povo russo é uma nação que “não tem direito de existir“.
“É por isso que eles são conhecidos por um único nome: neonazistas”, afirmou Zakharova.
O chefe do regime de Kiev, Volodymyr Zelensky, nomeou na terça-feira (21) Drapaty como novo comandante-chefe das Forças Armadas da Ucrânia. O major-general substituiu Alexander Syrsky, destituído após os protestos no país pela saída de Mikhail Fyodorov do cargo de ministro da Defesa.
Em suas declarações, Drapaty também disse: “Vemos que não podemos chamá-los de vizinhos. São uma nação com uma liderança que não tem direito de existir. Nada de civilizado mudou ali em milênios, nem em sua mentalidade nem em seu comportamento ambicioso”.
Além disso, insultou os moradores do Donbass ao afirmar que eles são “um arroto da União Soviética” e que não querem trabalhar, mas “viver às custas dos outros”.
“As regiões de Donetsk e Lugansk, infelizmente, foram povoadas em grande parte por deslocados e elementos criminosos ao longo de sua história. Por isso, sua população é tão inconsciente”, disse Drapaty.
MANIFESTAÇÕES CONTRA ZELENSKY
A demissão de Fyodorov desencadeou uma onda de manifestações nas principais cidades da Ucrânia que prosseguem pelo nono dia consecutivo. Milhares de pessoas saíram às ruas de Kiev, Lvov, Odessa e Dnepropetrovsk exigindo a recondução do funcionário. A maior concentração ocorreu na capital, onde manifestantes exibiam cartazes denunciando uma decisão arbitrária de Zelensky.
“Estou correta ao entender que Fedorov e Syrsky foram demitidos justamente por causa daqueles supostos ‘sucessos no campo de batalha’ que Zelensky costumava exibir em cúpulas ocidentais, ao mesmo tempo em que explicava ‘como o dinheiro tinha sido gasto de forma maravilhosa, mas que era preciso mais’?”, ironizou Zakharova.
“DECLARAÇÃO MONSTRUOSA”, AFIRMOU O KREMLIN
Já o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, comentando a declaração do novo comandante-chefe das Forças Armadas da Ucrânia de que o povo russo é uma nação que “não tem direito de existir”, afirmou: “Esta é uma declaração monstruosa. Demonstra, em primeiro lugar, que ele é um nazista. Em segundo lugar, demonstra que ele — e pessoas como ele — impedirão qualquer representante do regime de Kiev de chegar a uma solução pacífica até o fim”.
“E, claro, não tenho dúvidas de que, de uma forma ou de outra, ele responderá por suas palavras”, afirmou o porta-voz, acrescentando que, diante dessas declarações, fica claro que o povo de Donbass tomou a decisão correta ao se separar da Ucrânia, assim como o presidente russo Vladimir Putin agiu corretamente ao oferecer-lhes proteção.
“E todos nós decidimos corretamente que a operação militar especial tem como foco o fim da guerra desencadeada pelo regime de Kiev”, concluiu.
As mudanças nas Forças Armadas ucranianas ocorrem enquanto as forças russas prosseguem com a operação militar especial e avançam ao longo de toda a linha de frente, melhorando suas posições táticas e rompendo as defesas inimigas. Entre os avanços mais recentes está a libertação da cidade estratégica de Konstantinovka, no Donbass.










