No podcast Inteligência Ltda, nesta quinta-feira (30), o presidente denunciou a interferência dos EUA e garantiu que “ninguém vai ganhar do Brasil mentindo. Cada mentira que contarem a respeito do Brasil, nós vamos desmascarar”
O presidente Lula participou na quinta-feira (30) do podcast Inteligência Ltda, comandado por Rogério Vilela. Por das horas o presidente falou de sua trajetória de vida, greves sindicais em São Bernardo do Campo, sua prioridade em Educação, sobre cenário político nacional, debates eleitorais e perspectivas para o país.
INTROMISSÃO DOS EUA
A respeito das tentativas de grupos fascistas internos de buscar apoio de figuras da extrema-direita dos Estados Unidos – como Donald Trump e Marco Rubio -, Lula garantiu que o Brasil manterá sua soberania altiva. “Eles vão tentar interferir aqui, ajudando o lado de lá. Mas eu não estou preocupado com isso. Ninguém vai ganhar do Brasil mentindo. Cada mentira que contarem a respeito do Brasil, nós vamos desmascarar”, afirmou o presidente.
Lula rebateu os ataques orquestrados de bolsonaristas e membros do governo dos EUA ao modelo eleitoral brasileiro e afirmou que o sistema de urnas eletrônicas brasileiro é um dos mais seguros e auditáveis do mundo, lembrando que sua própria trajetória e vitória contra as elites tradicionais são a maior prova da integridade do sistema.
Ao fazer uma retrospectiva de sua vida desde os tempos em que era torneiro mecânico formado pelo SENAI, Lula destacou que o grande dividendo de seus mandatos presidenciais sempre foi a inclusão social e o fortalecimento do ensino público. Lula defendeu a tecnologia brasileira e mostrou vários produtos desenvolvidos internamente e que são superiores aos estrangeiros. Ele falou, por exemplo do biodiesel brasileiro e comparou com os combustíveis europeus. O nosso biodiesel foi 67% mais eficiente do que o alemão, no quesito emissão de gases de efeito estufa, explicou Lula.
INVESTIMENTOS EM EDUCAÇÃO
O presidente falou sobre os investimentos no ensino técnico e superior, reafirmando sua tese econômica central: “Pouco dinheiro na mão de muitos é riqueza de todos; muito dinheiro na mão de poucos é pobreza de todos. O dinheiro tem que circular. Quando você coloca dinheiro no prato do trabalhador, na bolsa do estudante, isso gira a economia, vende mais pão, mais cafezinho e gera emprego”, defendeu.
Ele destacou o fato do Brasil estar produzindo internamente um caça supersônico, o F-39 Gripen. Ele lembrou que a aeronave é sueca, mas o Brasil está produzindo internamente e vai exportar para outros países, disse Lula. O presidente defendeu o SUS e destacou a produção de vacinas pelo país. Ele criticou o negacionismo dos fascistas, que espalharam mentiras sobre as vacinas, e acabaram atrapalhando as campanhas de vacinação.
O presidente reforçou que o dever político com a democracia brasileira e a necessidade de barrar o avanço de forças extremistas se impõem acima de seus desejos individuais.
DEFESA DA DEMOCRACIA
“Você acha que eu sou candidato porque eu quero ser? Eu sou candidato porque não posso deixar esses fascistas voltarem. O meu desejo, se eu pudesse, era descansar com a minha namorada, com a minha Janjinha. Mas o seguinte: eu não vou deixar a extrema-direita voltar. Não vou. (…) Hoje eu tenho consciência de que não tem nenhum desses candidatos que tenha condições de resolver os problemas deste país ou a respeitabilidade que nós ganhamos no mundo”, afirmou Lula.
Lula criticou o nível do debate político depois que o fascismo surgiu no Brasil. “É uma gente que vive da mentira e que não respeita nada”, assinalou o presidente. “Antes disputávamos eleições, ganhávamos e perdíamos, mas havia civilidade”, acrescentou Lula, destacando que atualmente o nível de agressividade está muito alto.
O presidente foi enfático ao declarar que não aceitará se submeter a espetáculos de agressão ou baixaria política destinados apenas a gerar engajamento em redes sociais.
SEM VOLTA DO FASCISMO
“Eu, como presidente da República, não vou para debate para ouvir bobagem. Não vou. Depois que já estiver tudo organizado, eu quero saber qual é o nível do debate. Se for para um debate que não sirva para informar a população e politizá-la, por que eu vou? Para responder sacanagem? Fazer debate com cara que não tem compromisso com ninguém?”, declarou Lula.
Lula afirmou que a política exige respeito com o telespectador. Ele enfatizou que só participará de confrontos diretos se houver regras rígidas de civilidade e foco no debate de propostas para o país.
Ao abordar os ataques recorrentes dirigidos à sua família e as acusações lançadas ao longo dos anos contra seu filho Fábio Luís Lula da Silva (o Lulinha), o presidente falou de forma aberta. Lula denunciou as décadas de campanhas de difamação criadas contra seus familiares e reiterou que não haverá qualquer proteção governamental ou interferência nas instituições republicanas caso haja qualquer irregularidade provada.
“Se o meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa. Não haverá nenhum privilégio. Eu jamais pedirei para um delegado ou para um juiz não fazer as coisas corretas. Se ele estiver certo, ele vai se defender; se fizer coisa errada, ele sabe que vai se ferrar e vai pagar o preço”, afirmou o presidente.
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