Planejavam ainda assassinar candidatos às eleições
Um grupo nazista que se organizava pelo Telegram estava planejando explodir o Palácio do Planalto e matar os candidatos durante debate no segundo turno, revelou investigação do Ciberlab, órgão vinculado ao Ministério da Justiça.
Foram cumpridas operações de buscas e apreensão em cidades de São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Pernambuco. Os computadores e aparelhos apreendidos serão investigados.
Cerca de 600 criminosos se comunicavam pelo aplicativo Telegram – sem serem incomodados pela plataforma – e os mais assíduos eram levados para outro grupo.
No segundo grupo, mais restrito, as 46 pessoas que participavam recebiam instruções de como preparar bombas e planejavam com mais detalhes os crimes que seriam cometidos. Um dos grupos utilizava uma foto do ditador Adolf Hitler como capa.
Os membros eram homens de 19 a 31 anos que nunca haviam se encontrado pessoalmente.
Um usuário disse que o grupo deveria “listar os principais alvos para garantir o sucesso da revolução”, enquanto outro alertou que “muito dificilmente nossos inimigos estão concentrados em um único lugar”.
O plano, segundo decidiram, seria “explodir o edifício do debate onde os eleitos do 2º turno irão debater”. Além disso, o grupo visava atacar o Palácio do Planalto, sede do governo federal.
O candidato com mais chances de estar em um eventual segundo turno, segundo todas as pesquisas que foram feitas sobre as eleições presidenciais, é o presidente Lula.
Essas conversas foram monitoradas pelo Ciberlab, um laboratório do Ministério da Justiça que atua em uma sala com acesso restrito para identificar grupos terroristas, nazistas e racistas, e as pessoas que utilizam perfis falsos para praticar os crimes.
O delegado Maurício Coelho, de Inteligência da Polícia Civil do Distrito Federal, contou que o grupo tinha as plantas dos prédios dos Ministérios, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Chegaram, inclusive, a compartilhar a planta baixa do Palácio do Planalto, para mostrar lá: ‘A planta deles é assim, a gente pode entrar por aqui, sair por aqui’”, comentou.
“A gente acredita que eles levariam [o plano] à frente. E a nossa teoria aqui é que a gente não vai pagar para ver”, explicou o delegado.
O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, apontou que as conversas e os planejamentos “não eram práticas inocentes. O que estava ali sendo engendrado eram atentados sérios”.
Wellington ressaltou que a internet é palco de diversos crimes de ódio. O Brasil não avançou na regulamentação das redes sociais, que impediria a existência de grupos nazistas e a prática de crimes de ódio fascista na internet, desde que as big techs fizeram uma campanha contra o PL de Combate às Fake News, que tinha a relatoria do deputado Orlando Silva (PCdoB-SP).
O parlamentar chamou o caso dos grupos nazistas de “gravíssimo”. “Os criminosos tinham até a planta do Palácio do Planalto, onde intenciovam colocar bombas. É inaceitável a omissão cúmplice do Telegram”, denunciou.
O Telegram se apoia em um discurso falsamente a favor da liberdade de expressão para permitir que crimes sejam cometidos dentro da plataforma. A empresa já chegou a ser multada por descumprir ordens judiciais para fechamento de canais criminosos.
Para Orlando Silva, “o bolsonarismo abriu o bueiro em que se escondiam esses vermes. É preciso derrotá-los de uma vez por todas!”.
Em 2022, um grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro planejou e começou a execução de um ato golpista para assassinar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).










