Haddad critica privatizações e cobra Tarcísio por educação e feminicídios no 1º debate em SP

Debate entre Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad - Foto: Renato Pizzutto/Band

Privatizações e feminicídios expõem pontos de pressão sobre gestão Tarcísio em primeiro debate

O primeiro debate entre Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa pelo governo de São Paulo foi marcado por uma ofensiva do petista contra os principais pilares da administração estadual. Realizado pela Band neste domingo (9), o confronto colocou no centro da discussão as privatizações, os resultados da educação pública, a segurança e, especialmente, o avanço dos feminicídios.

Haddad procurou explorar no debate uma questão que deve estar entre os principais temas da eleição: qual deve ser o papel do Estado na prestação de serviços públicos. A privatização da Sabesp e as concessões de linhas da CPTM foram utilizadas pelo candidato como exemplos de uma política que, segundo ele, transfere para empresas privadas atividades estratégicas e não garante, necessariamente, melhores serviços à população.

Tarcísio defendeu o modelo e apresentou as desestatizações como instrumentos para ampliar investimentos e modernizar a infraestrutura paulista. O governador também recorreu a indicadores de criminalidade e aos resultados de sua gestão na educação para rebater as críticas.

PRIVATIZAÇÕES SÃO ALVO

A política de privatizações foi um dos momentos de maior confronto entre os candidatos.

Haddad questionou a decisão do governo paulista de privatizar a Sabesp e avançar na concessão de serviços de transporte sobre trilhos. A Sabesp foi privatizada em julho de 2024, após o governo paulista vender 32% das ações que detinha na companhia por R$ 14,8 bilhões.

Para o petista, a operação representa uma mudança estrutural na forma como o Estado administra serviços essenciais. Em sua avaliação, água e saneamento não deveriam ser submetidos prioritariamente à lógica de mercado.

A crítica ganhou força durante o confronto sobre a qualidade dos serviços públicos. Haddad questionou se a transferência da operação para a iniciativa privada efetivamente trouxe melhorias para a população e comparou a política de Tarcísio ao modelo adotado em outros serviços concedidos.

A estratégia de Haddad foi apresentar a privatização não apenas como uma decisão administrativa, mas como uma escolha política que deve ser avaliada pelos efeitos concretos sobre tarifas, atendimento e investimentos.

Tarcísio respondeu defendendo os resultados obtidos após a desestatização e afirmou que a iniciativa privada permite ampliar a capacidade de investimento. O governador tem sustentado que a privatização da Sabesp acelera obras de saneamento e antecipa metas de universalização.

CAOS DA CPTM

O transporte ferroviário também entrou no centro do embate.

Haddad criticou as condições do sistema de trens e associou problemas de operação e manutenção à política de concessões adotada pelo governo estadual. A CPTM passou a ser um dos principais exemplos usados pelo petista para questionar a tese de que a privatização ou concessão necessariamente resulta em um serviço melhor.

O governador, por outro lado, defendeu as concessões e afirmou que a participação privada é necessária para acelerar a modernização da malha ferroviária.

PIORA NA EDUCAÇÃO

A educação foi o primeiro assunto do debate e abriu uma das principais frentes de ataque de Haddad.

O petista afirmou que São Paulo perdeu posições no ranking do ensino médio e criticou o desempenho do Estado em indicadores de alfabetização. Segundo Haddad, São Paulo teria passado da terceira para a décima colocação na qualidade do ensino médio.

A crítica foi acompanhada de uma contestação ao modelo pedagógico adotado pela gestão Tarcísio.

Haddad questionou a substituição de materiais didáticos tradicionais por plataformas digitais e aulas baseadas em recursos tecnológicos. Também apontou problemas de conectividade na rede estadual, argumentando que parte das escolas não teria estrutura suficiente para utilizar adequadamente essas ferramentas.

A crítica atinge diretamente uma das bandeiras apresentadas pelo governo: a modernização tecnológica da rede de ensino.

Tarcísio rebateu os números apresentados por Haddad e afirmou que a avaliação precisa considerar a expansão do ensino profissionalizante. O governador destacou que a proporção de estudantes do ensino médio paulista matriculados no ensino técnico aumentou significativamente durante sua gestão.

Também citou a expansão das escolas de tempo integral, a alfabetização na idade certa, programas de recuperação da aprendizagem e a formação continuada dos professores como prioridades de sua administração.

O choque de versões deixou evidente uma das disputas centrais do debate: enquanto Haddad tentou medir a gestão pelos indicadores educacionais e pelas posições ocupadas por São Paulo, Tarcísio apresentou a expansão de programas e matrículas como evidências de avanço.

COMBATE AOS FEMINICÍDIOS

Se a educação abriu o debate, a segurança pública produziu alguns dos momentos mais delicados do confronto.

Tarcísio apresentou números positivos de sua gestão e destacou a redução de crimes violentos no Estado. O governador sustentou que São Paulo apresenta índices historicamente baixos de homicídios e latrocínios.

Haddad, entretanto, tentou deslocar o foco dos indicadores gerais para um problema específico: a violência contra as mulheres.

O candidato criticou a política de segurança do governo e chamou atenção para o aumento dos feminicídios. A questão ganhou peso porque permite colocar em discussão uma aparente contradição: mesmo quando determinados crimes apresentam queda, a violência de gênero pode continuar exigindo respostas específicas do poder público.

Haddad argumentou que não basta apresentar a redução dos homicídios para concluir que a política de segurança funciona de maneira satisfatória. Para o petista, o governo precisa olhar para crimes que atingem grupos específicos e desenvolver políticas próprias de prevenção e proteção.

A crítica colocou os feminicídios no centro do debate sobre segurança e obrigou Tarcísio a responder não apenas pelos índices gerais de criminalidade, mas também pela capacidade do Estado de proteger mulheres vítimas de violência.

INTEGRAÇÃO NA SEGURANÇA

Haddad também apresentou uma proposta para reorganizar a política de segurança paulista.

O candidato defendeu a criação de um gabinete integrado, sob comando direto do governador, reunindo diferentes instituições responsáveis pela segurança e pelo combate ao crime organizado.

A proposta envolveria as polícias Civil e Militar, Ministério Público, Polícia Federal, Receita Federal e Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A intenção, segundo Haddad, seria aumentar o compartilhamento de informações e a coordenação entre as instituições, especialmente no combate às organizações criminosas.

A proposta também permite ao candidato fazer uma crítica política à atual estrutura de segurança do Estado: na avaliação apresentada por ele, São Paulo precisa de maior integração entre as forças e de uma estratégia que ultrapasse a atuação policial isolada.

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