Pressão dos EUA por novo embaixador é ingerência contra o Brasil, denuncia Nádia

Presidente nacional do PCdoB (Foto: Reprodução - Instagram)

“Temos soberania para aprovar um embaixador no tempo que julgar necessário, o nome e o tempo que julgar necessário. Portanto, o Brasil não deve aceitar essa pressão e essa chantagem do governo estadunidense”, afirmou a presidente interina do PCdoB

A presidente nacional interina do PCdoB, Nádia Campeão, denunciou que Donald Trump está pressionando o Brasil para aceitar às pressas a indicação do novo embaixador para “garantir a possibilidade de ingerência” nas eleições presidenciais brasileiras.

Os EUA, que estão sem embaixador no Brasil desde janeiro de 2025, agora exigem que o governo Lula aceite em tempo recorde a indicação de Daniel Perez para o cargo.

O governo de Donald Trump chegou a anunciar publicamente que Daniel Perez era o novo embaixador dos EUA no Brasil sem que fossem feitos os trâmites formais para isso.

Nádia Campeão comentou que a pressa de Donald Trump para que os EUA tenham um embaixador no Brasil coincide com a chegada das eleições presidenciais, nas quais ele está apoiando Flávio Bolsonaro.

“Por que essa pressa? Evidentemente que eles querem que o novo embaixador, aprovado às pressas, esteja presente no Brasil no processo eleitoral, para justamente garantir a possibilidade da ingerência no nosso processo interno”, afirmou a dirigente do PCdoB.

Nádia afirmou que “o Brasil tem soberania para aprovar um embaixador no tempo que julgar necessário, o nome e o tempo que julgar necessário. Portanto, não deve aceitar essa pressão e essa chantagem do governo estadunidense”.

“O Brasil tem exercido de forma altiva sua soberania ao não aceitar a tentativa de Donald Trump de interferir no processo eleitoral brasileiro com a nomeação apressada de um embaixador dos Estados Unidos. A provocação é tamanha que Trump cancelou o visto da embaixadora do Brasil Maria Lúcia Viotti, o que gerou uma crise diplomática”, escreveu nas redes sociais.

O governo dos Estados Unidos impôs sanções contra o Brasil para pressionar Lula diante das eleições. Essa movimentação foi feita em acordo com Flávio Bolsonaro, que visitou Trump antes do anúncio, e seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que está morando nos EUA.

A presidente nacional do PCdoB acrescentou que os EUA “estão criando uma verdadeira crise diplomática” para tentar interferir nas eleições.

“Na semana passada, eles cancelaram o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos [Maria Luiza Ribeiro Viotti] para forçar que o Brasil faça uma aprovação em tempo recorde do indicado por ele, Trump”, disse.

Os EUA também tentaram enviar dois funcionários do governo federal para o Brasil a fim de “discutir urnas eletrônicas no Supremo Tribunal Federal (STF) e fazer uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão”. O caso foi barrado pelo governo brasileiro, que negou os vistos.

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