“Os Estados Unidos não têm conseguido combatê-las nem mesmo dentro do seu território. Os cartéis mexicanos, as maras de El Salvador, o Trem de Aragua e o próprio PCC estão operando normalmente dentro dos Estados Unidos”, explicou em maio o promotor
O promotor Lincoln Gakiya recusou a proposta do candidato Ronaldo Caiado (PSD), que disse que, se eleito, iria nomear o promotor para ocupar a pasta da Segurança Pública.
O promotor afirmou que não pretende deixar o Ministério Público para assumir um cargo em eventual governo neste momento.
“Já recebi vários convites anteriormente em época eleitoral, inclusive em gestões passadas, o do Caiado não foi o primeiro e eu, como promotor de Justiça da ativa, não posso ter envolvimento com qualquer atividade político-partidária”, declarou.
Gakiya tem posição contrária à de Caiado sobre o combate ao crime. Ele já afirmou que a decisão dos Estados Unidos de declarar facções criminosas e cartéis como grupos terroristas prejudica o combate ao crime organizado e não teve resultado positivo no México ou mesmo dentro dos EUA. Já Caiado defendeu que o próprio governo do Brasil deveria ter declarado o PCC e o CV como organizações terroristas, adiantando-se servilmente ante à ingerência indevida dos EUA contra o país.
Em maio, quando os EUA já falavam sobre a mudança na classificação desses grupos, o promotor do Ministério Público de São Paulo questionou a medida.
“Não vi, nessa última década, nenhum avanço interno no México, seja por intervenção norte-americana ou não, em conter o avanço dos cartéis, que hoje praticamente dominam a economia mexicana. Esses cartéis já foram classificados como terroristas há muitos anos e continuam operando”, explicou o especialista em combate ao crime organizado.
“Os Estados Unidos não têm conseguido combatê-las nem mesmo dentro do seu território. Os cartéis mexicanos, as maras de El Salvador, o Trem de Aragua e o próprio PCC estão operando normalmente dentro dos Estados Unidos. Não é a classificação por si só que vai melhorar”, continuou Lincoln Gakiya.
O promotor do MP-SP explicou que a mudança feita pelo governo de Donald Trump pode servir como afronta à soberania do Brasil, uma vez que possibilita aos EUA que façam “operações militares secretas sem a anuência do governo estrangeiro, por exemplo uma ação militar em território brasileiro nos moldes das que foram feitas no México e na Venezuela, o que pode implicar m riscos à soberania nacional brasileira”.
Além disso, a mudança prejudica a colaboração entre os órgãos do Brasil e dos EUA para investigações, uma vez que o assunto sai da esfera policial e passa para a Defesa.
Já a posição de Ronaldo Caiado é de que o governo Lula deveria ter se adiantado a Donald Trump e passado a considerar as facções criminosas como terroristas. “Se eu estivesse no governo, eu já tinha decretado como terrorista e já tinha ampliado muito mais as penas”, disse o ex-governador de Goiás.










