Descoberta no Amapá afasta “ameaça de voltar a importar petróleo”, afirma Magda

Presidente da Petrobrás, Magda Chambriard, durante entrevista coletiva (Foto: Rafael Pereira - Agência Petrobrás)

Presidente da Petrobrás diz que “hoje somos o sétimo maior produtor de petróleo do mundo. Até o pico do petróleo a gente pode estar aí pelo sexto, sétimo, talvez até o quinto maior produtor”

A presidente da Petrobrás, Magda Chambriard, afirma que a descoberta de petróleo no Amapá “representa a manutenção do Brasil como um polo geopoliticamente importante no mundo do petróleo na próxima década”.

Em entrevista à GloboNews, a executiva projetou que o Amapá estará produzindo petróleo em águas ultraprofundas em até sete anos.

A Petrobrás identificou a presença de hidrocarbonetos no poço exploratório Morpho (1-BRSA-1405-APS), localizado no bloco FZA-M-59, na Margem Equatorial brasileira. A descoberta está a cerca de 175 km da costa do Estado do Amapá, em lâmina d’água de 2.886 metros e a 500 km da foz do Rio Amazonas. A estatal detém 100% de participação na área.

Chambriard ressalta que a descoberta é absolutamente relevante para os próximos passos da empresa em relação à exploração comercial de petróleo na região.

“Acreditamos de verdade que demos um passo muito importante em prol e na direção de uma descoberta comercial no Amapá mais à frente. A gente consegue identificar se o tamanho dessa descoberta e o potencial da área como um todo com outros três poços que vêm aí pela frente e a continuidade dos trabalhos exploratórios. Definido esse porte é que a gente parte para definir qual é o projeto de desenvolvimento que nós vamos empreender”, explica a presidente da Petrobrás.

“Imagino que o Amapá possa ter petróleo sendo produzido em águas ultraprofundas de hoje a uns seis, sete anos”, avalia Magda Chambriard, ao alertar que a descoberta é “absolutamente relevante”, porque o Brasil poderia voltar a importar petróleo nos próximos anos, caso não houvesse a reposição de reservas.

“Hoje nós somos o sétimo maior produtor de petróleo do mundo. Até o pico do petróleo a gente pode estar aí pelo sexto, sétimo, talvez até o quinto maior produtor. Mas a partir do pico do petróleo seria inevitável a perda dessa posição e até estaríamos ameaçados a voltar a importar petróleo caso não houvesse a reposição de reservas”.

Políticos e especialistas no setor de petróleo comemoram a descoberta de hidrocarbonetos na Margem Equatorial brasileira, uma fronteira exploratória que se estende do Rio Grande do Norte ao Amapá.

Para o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a descoberta pode “reposicionar o Brasil na geopolítica global”. “Não foi sorte achar petróleo na Margem Equatorial, foi o resultado do árduo trabalho do nosso governo e da implementação responsável de suas políticas públicas”, comentou Silveira pelas redes sociais.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), classificou a descoberta de óleo no primeiro bloco prospectado pela Petrobrás na Margem Equatorial de “um sonho que se torna realidade”.

“O Amapá lutou por mais de 10 anos para ter o direito de pesquisar esta riqueza”. “Um sonho se torna realidade com esta informação. O Estado poderá, a partir desta riqueza, trazer frutos, desenvolvimento e progresso para o povo do extremo Norte do Brasil”, disse nas redes sociais.

O ex-presidente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Allan Kardec Duailibe, afirma que “a exploração de petróleo na Margem Equatorial nunca foi uma aposta no desconhecido. Pelo contrário: é a defesa do direito de conhecer! Pesquisar. Medir. Avaliar. E somente então decidir”, escreveu em uma das suas redes sociais.

“Hoje, a identificação de hidrocarbonetos no poço Morpho, pela Petrobrás na costa do nosso estimadíssimo Amapá, dá um significado especial a toda essa caminhada. Ainda há muito a pesquisar antes de conhecermos a dimensão dessa descoberta. É assim que a ciência avança: sem atalhos, sem temer perguntas”. “Que das profundezas do Atlântico venha a força para o triunfo da Amazônia!”, festejou o professor da UFMA.

Por sua vez, o governador do Amapá, Clécio Luís (União), disse que “talvez essa seja a notícia do século em relação a novos projetos, ao desenvolvimento, a novos empregos”, comentou, em vídeo postado também em redes sociais. “Essa descoberta representa muito para o Brasil, para a geopolítica, para a estratégia brasileira de desenvolvimento”.

O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) “vê como extremamente importante a confirmação da presença de hidrocarbonetos no poço exploratório, na bacia da Foz do Amazonas”, disse em nota. “A notícia divulgada pela Petrobrás é significativa não apenas pela identificação da presença de petróleo, mas por indicar a possibilidade de exploração e produção em uma nova fronteira no extremo norte do país”.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *