Para quem jurava de pés juntos que não conhecia e nunca tinha falado com o banqueiro ladrão, as revelações confirmam que ele é um mentiroso contumaz
Reportagem da newsletter Noites Húngaras revelam que só no mês de setembro de 2025, Flávio Bolsonaro falou cinco vezes com o banqueiro Daniel Vorcaro. É o que mostra um conjunto de mensagens inéditas entre os dois. Flávio já tinha sido flagrado num áudio pedindo R$ 134 milhões ao banqueiro, que deu um dos maiores golpes financeiros da história brasileira.
Para quem tinha jurado de pés juntos que nunca tinha conversado com Vorcaro, esse é mais um escândalo a abalar a sua já problemática campanha ao Planalto. Primeiramente ele tinha negado que conversara com o banqueiro, mas depois, ele acabou admitindo que pediu o dinheiro.
As mensagens revelam que a relação entre o senador e o dono do Banco Master, transcorreu com contatos telefônicos diretos e frequentes. Os contatos estão relacionados com a cobrança de dinheiro para bancar o filme Dark Horse. Eles foram feitos antes do repasse de valores adicionais ao exterior, informa o jornalista Paulo Motoryn,
O inquérito da Polícia Federal que apura os repasses de Vorcaro, sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi aberto formalmente em 23 de julho de 2026, após parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Os novos detalhes sobre as chamadas trazem informações inéditas sobre quem iniciou as ligações, a duração exata de cada uma e o cenário em que foram efetuadas.
A ligação de maior duração ocorreu no dia 8 de setembro de 2025, durando 2 minutos e 38 segundos. O telefonema foi feito por Flávio Bolsonaro às 22h12, imediatamente após enviar ao banqueiro um áudio de 1 minuto e 31 segundos cobrando uma definição sobre o envio de dinheiro para o projeto audiovisual.
Antes de ligar, o parlamentar escreveu: “Preferi te mandar um áudio pra vc ouvir com calma aí, mermão! abs!”. Vorcaro respondeu justificando que a semana anterior havia sido difícil, pediu desculpas e prometeu: “Eu vou resolver amanhã”. A promessa, contudo, não conteve a insistência do senador, que ligou em seguida.
A apuração indica que o volume total de chamadas pode ser ainda maior, já que parte dos contatos ocorreu fora do aplicativo de mensagens WhatsApp. Em 16 de setembro, Vorcaro mandou uma mensagem às 11h07 perguntando se estava tudo bem. Às 11h45, Flávio respondeu com a mensagem “Retornei”, indicando uma tentativa de contato prévia por meio da rede telefônica convencional. Minutos depois, às 11h47, Vorcaro efetuou uma chamada via aplicativo que durou 42 segundos. Como o histórico convencional não fica registrado no aplicativo, os cinco telefonemas mapeados representam o piso mínimo de contatos realizados.
O dia de maior concentração de chamadas foi 24 de setembro de 2025, quando Flávio Bolsonaro ligou três vezes para o banqueiro: às 13h38 (com duração de 45 segundos), às 17h46 (25 segundos) e às 22h (1 minuto e 50 segundos). A última ligação daquela noite ocorreu logo após os dois combinarem a marcação de um encontro presencial.
Vorcaro havia informado que precisaria ficar em São Paulo e perguntou se poderiam se reunir em Brasília na semana seguinte. Flávio colocou-se à disposição para a reunião, e o banqueiro sugeriu a quarta-feira seguinte, às 14h30. A ligação de quase dois minutos foi iniciada logo em seguida.
O desdobramento dessas conversas guarda relação direta com o montante financeiro movimentado pelo esquema. O vazamento inicial indicava que Vorcaro havia enviado US$ 10,6 milhões para o Texas, nos Estados Unidos. No entanto, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelou posteriormente que o valor real transferido alcançou US$ 12,3 milhões — uma diferença de US$ 1,7 milhão efetuada após a onda de cobranças e chamadas telefônicas do parlamentar.
Apesar dos indícios de que a pressão exercida por Flávio resultou no envio de mais verbas, permanecem sem esclarecimento o teor exato das conversas e a comprovação contábil dos gastos. Até o momento, não foram apresentadas as notas fiscais nem a prestação de contas dos recursos aplicados na produção do filme Dark Horse, documentos essenciais para discriminar os serviços contratados e os destinatários do dinheiro.
Até a publicação desta reportagem, o único encontro presencial entre o senador e o dono do Banco Master confirmado pelo parlamentar do PL ocorreu em novembro de 2025, ocasião em que o empresário já havia sido preso e utilizava tornozeleira eletrônica.










