FFAA alertaram outros Poderes contra a maquinação de golpe por Bolsonaro, revela ex-comandante

Ex-comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior (Foto: Reprodução - Youtube)

O ex-comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos Baptista Junior, contou que as Forças Armadas adotaram, em 2022, uma estratégia de “ganhar tempo” para evitar que Jair Bolsonaro desse um golpe e realizaram reuniões com outros Poderes para preparar o país para repelir ataques antidemocráticos.

“Nossa estratégia foi ganhar tempo, foi chegar o dia 2 de janeiro, porque eu não sei o que poderia acontecer em um Brasil radicalizado como estávamos”, contou.

A avaliação do ex-comandante da FAB é de que havia “fogo cruzado institucional”, que tensionava o país, e “não havia mais diálogo”.

Em entrevista ao UOL, Baptista Junior contou sobre uma reunião em 24 de agosto de 2022 com os demais comandantes das FFAA, o então presidente do STF, Dias Toffoli, e o então procurador-geral da República, Augusto Aras, na qual foram discutidas formas de “distensionar” o país para evitar uma ruptura institucional, ou seja, um golpe de Estado por parte de Jair Bolsonaro.

“Basicamente, nós falamos para eles o seguinte: ‘Ministro [Toffoli], cada um aqui tem que acalmar a tensão na sua instituição, porque está parecendo que só os militares estão preocupados com a ruptura e que as muitas outras pessoas dessas e outras instituições ainda não entenderam a gravidade do que está acontecendo’”, contou.

O ex-comandante da FAB relatou que seu primeiro “incômodo” com as manifestações golpistas de Jair Bolsonaro ocorreu em abril de 2020, no dia do aniversário do Exército. “Aquilo não me pareceu certo. Um presidente da República em cima de uma picape, discursando com algumas faixas de intervenção militar”, contou.

Depois disso, Jair Bolsonaro deu outros “recados” açulando os movimentos golpistas participando de atos. O resultado é que as pessoas que estiveram nos acampamentos e na tentativa de golpe de 8 de janeiro “foram levadas a um sonho possível”.

Após a derrota eleitoral para Lula, Jair Bolsonaro passou a dizer abertamente para as Forças Armadas que queria dar um golpe de Estado para se manter no poder.

As FFAA participaram da comissão de transparência das eleições e informaram, dois dias depois do segundo turno, ao então presidente Bolsonaro que “o processo eleitoral havia acontecido como previsto, que nenhum problema foi encontrado, nenhuma fraude foi encontrada”.

Segundo o brigadeiro Baptista Junior, Bolsonaro tinha “o sonho de que alguma coisa fosse achada” e manteve a pressão por um golpe.

O militar da reserva escreveu o livro “Eu disse não – Uma trincheira antigolpista”, relatando a resistência contra o golpe de Estado dentro das Forças Armadas.

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