Manifesto assinado por 75 médicos, pesquisadores e profissionais pede voto no presidente no segundo turno e destaca os retrocessos no financiamento das universidades durante o governo Bolsonaro
Um grupo de 75 hepatologistas, gastroenterologistas e médicos residentes divulgou um manifesto em defesa da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), destacando a importância de preservar o Sistema Único de Saúde (SUS), a ciência, as universidades públicas e a democracia. O documento convoca especialmente os eleitores que pretendem se abster, anular o voto ou que escolheram outros candidatos no primeiro turno a reconsiderar sua posição.
Intitulado “Hepatologistas em Defesa do SUS, da Ciência, das Universidades e da Democracia”, o movimento surgiu durante a pandemia de Covid-19, diante da necessidade de combater o negacionismo científico, defender a vacinação e reafirmar a importância da medicina baseada em evidências.
No manifesto, os profissionais defendem que a decisão eleitoral seja orientada pelo histórico dos candidatos, pelas políticas efetivamente implementadas e pelas propostas para o futuro, e não apenas por discursos ou preferências ideológicas.
“Temos críticas ao atual governo, mas consideramos fundamental preservar conquistas e avaliar os diferentes projetos de país à luz de fatos e resultados”, afirma o texto.
CORTES NAS UNIVERSIDADES
Os médicos destacam a expansão do ensino superior público entre 2003 e 2014, período em que foram criadas 18 universidades federais e 173 novos campi. Segundo os dados reunidos no documento, as matrículas na graduação federal cresceram de aproximadamente 505 mil para 932 mil estudantes, enquanto os investimentos em infraestrutura, laboratórios e equipamentos chegaram a cerca de R$ 1,5 bilhão em 2014.
O manifesto aponta que, entre 2019 e 2022, durante o governo Jair Bolsonaro, o orçamento geral das universidades federais caiu de aproximadamente R$ 62,2 bilhões para R$ 53,2 bilhões. Os investimentos em infraestrutura e equipamentos recuaram ainda mais: chegaram a R$ 188,7 milhões em 2022, uma redução de 87,8% em relação a 2014.
A retração dos recursos, segundo o documento, comprometeu a assistência estudantil, as bolsas e a manutenção das instituições, em meio a sucessivos bloqueios orçamentários.
Na área da saúde, os profissionais também recordam a proposta orçamentária apresentada em 2022 para o ano seguinte, que previa uma redução expressiva dos recursos destinados à gratuidade de medicamentos do programa Farmácia Popular. Os valores acabaram sendo recompostos posteriormente.
DEFESA DO SUS E DA DEMOCRACIA
O grupo reconhece que a retomada de recursos para as universidades e a ciência desde 2023 representa um avanço, embora ressalte que os valores reais ainda estejam distantes dos melhores patamares históricos e que persistam desafios importantes.
A partir dessa avaliação, os signatários defendem que a escolha nas urnas considere qual projeto de país oferece melhores condições para fortalecer a saúde pública, a educação, a pesquisa científica e as instituições democráticas.
“Como médicos e cientistas, acreditamos que decisões importantes devem ser tomadas como fazemos na medicina: conhecendo os fatos, avaliando as evidências e comparando riscos e benefícios”, afirma o manifesto.











