Flávio fugiu da raia e quer escolher que sigilos abrir. Atônito, o farsante também excluiu o irmão dos EUA

Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro (Fotos: Pedro França/Agência Senado e divulgação)

Lula entregou tudo e aceitou as exigências. Flávio diz que só vai abrir se houver decisão judicial e quer escolher o que abrir. É um picareta de marca maior. Mendonça diz que abrir sigilos é “decisão de cada um”

Durante o debate da Bandeirantes, o presidente Lula desafiou o candidato da extrema-direita, Fávio Bolsonaro a que os dois abrissem seus sigilos bancários e telefônicos antes do segundo turno das eleições.

O presidente se dispôs imediatamente a abrir todos os seus sigilos e de todos os seus familiares, desde que Flávio Bolsonaro fizesse o mesmo. O candidato fascista inventou uma série de exigências, precisamente 19 exigências, para que ele concordasse em abrir seus sigilos. A ideia com essa quantidade de exigências era que Lula desistisse da ideia.

Flávio se enganou. Lula dobrou a aposta. Concordou com todas as exigências e propôs que fosse quebrado também o sigilo da empresa Alcazar Hoding, com sede na Ilha da Madeira, que tem um conta conjunta entre Flávio e Willer Tomáz no Santander. Flávio aparece como administrador máster dessa conta da empresa, que é também dona de uma bet ilegal.

Os assessores do presidente Lula compareceram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no dia e hora marcada e entregaram os documentos que autorizam a abertura de todos os seus sigilos e de seus familiares, assim como os dados pedidos pela campanha de Flávio. A campanha de Flávio não apareceu no horário combinado, mas depois, ais tarde, entregou um documento ao TSE.

Eis que a campanha de Flávio entrega um documento dizendo que, se houver uma decisão judicial, tomará a providência de escolher as contas que deverão ser abertas. Contas das empresas de Flávio e não as pessoais. Esta e a pegadinha dos espertalhões. Não foi isso o combinado. O desafio é abrir tudo. Flávio quer escolher o que abrir. Esta manobra contou com a benevolência do ministro André Mendonça, do TSE, que afirmou que a decisão da quebra é de cada um e que o TSE não pode interferir.

Ora. O presidente Lula disponibilizou todas as contas e telefones e as outras exigências, como cartões corporativos, voos pela FAB, agendas do palácio, etc. É óbvio que TSE tem que arbitrar essa questão. Ou seja, verificar se a autorização entregue permitirá a quebra de todos os sigilos pelo órgãos competentes. A campanha de Flavio não quer saber de nada disso.

Ele está fugindo de abrir completamente seus sigilos. E ainda por cima não incluiu as contas do irmão, Eduardo Bolsonaro, que, todos sabem, é o administrador do fundo Havengate, que recebeu o suborno de R$ 134 milhões de Daniel Vorcaro. Ou seja, eles pretendem que os sigilos não sejam quebrados indiscriminadamente e nem haja supervisão do TSE para que tudo possa ser checado.

Está claro com essa manobra que Flávio não quer quebrar seus sigilos. Está fugindo disto como o diabo foge da cruz. Afinal, ele recebeu R$ 134 milhões de Daniel Vorcaro, administrou uma conta conjunta com Willer Tomáz, acusado de participar da fraude do INSS e lavar dinheiro através de uma bet ilegal. Além disso, ele comprou uma mansão avaliada em R$ 10 milhões sem ter renda que justificasse a aquisição. É por tudo isso que Flávio não quer abrir seus sigilos.

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