O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usou o debate presidencial da Globo, nesta sexta-feira (23), para retratar Belém como uma cidade de esgoto a céu aberto, urubus revirando comida e mau cheiro. Em rede nacional, o candidato disse que os moradores da capital paraense se acostumaram a viver “num lugar que tem cheiro ruim”.
“Pessoas em Belém que moram num local, no centro de Belém, onde passa o esgoto a céu aberto. É urubu revirando comida na porta de casa, as pessoas se acostumando a morar, viver num lugar que tem cheiro ruim”, disse o candidato.
A fala revelou como Flávio enxerga o Norte do país. Para apresentar Belém aos eleitores, ele escolheu esgoto, urubu e mau cheiro. Ao dizer que os moradores se acostumaram a essas condições, ainda jogou sobre a população a responsabilidade pelo abandono. A declaração reduziu uma cidade de história, cultura e floresta a uma imagem de lixo e reproduziu o estereótipo preconceituoso que costuma ser aplicado à Amazônia e a quem vive nela.
PARAENSES REAGEM
A declaração provocou revolta nas redes sociais. Um dos que reagiram foi o ator Paulo Vieira, que ironizou a forma como o bolsonarista fala da região: “O Flávio descrevendo o norte e o nordeste tipo assim: EU TIVE LÁ E É UM LIXO, UMA NOJEIRA, URUBU, CRIANÇA NO ESGOTO, UMA TRISTEZA, GENTE SEM TRABALHO… MAS EU VOU AJUDAR VOCÊ. O eleitor sem saber se ele veio pedir voto ou um soco”.
Paraenses também responderam ao senador. “FLÁVIO LAVA A BOCA PRA FALAR DO ESTADO DO PARÁ E DE BELÉM PORRA”, escreveu Nicolly Silva. “O que fede mesmo é o passado desse cara, que é firmado em vários atos ilícitos”, disse outra internauta. “Quer falar de esgoto a céu aberto? Fale do rio Tietê”, publicou Izabela Nascimento no Instagram.
PERGUNTA ERA SOBRE SANEAMENTO
A descrição de Belém veio em resposta a uma pergunta de Lula (PT) sobre água e esgoto na Região Norte. Depois do retrato, Flávio chamou as condições de desumanas e prometeu ajudar a cidade a realizar seu maior programa de saneamento.
Belém, o Pará e a Amazônia acumulam graves deficiências de saneamento, resultado de décadas de desigualdade regional. Os problemas são reais e pedem soluções concretas. Flávio transformou essas dificuldades em espetáculo eleitoral e tratou a cidade inteira como se ela se resumisse às suas carências.
Segundo o governo federal, o maior programa de saneamento da história está em curso. Desde 2023, foram destinados mais de R$ 1,257 bilhão para obras em Belém: Canal da Gentil Bittencourt, Canal da Cipriano Santos, Canal do Caraparu, Canal Mártir, Canal do Murutucu, Canal da Vileta, Canal da União, Canal da Leal Martins, Canal do Timbó, Bacia do Tucunduba, Urbanização do Mangueirão, Esgotamento Sanitário do Ver-o-Peso, Estação de Tratamento de Esgoto Una (ETE Una), Macrodrenagem da Avenida Bernardo Sayão, Programa de Saneamento da Bacia da Estrada Nova (Promaben), Parque Agroflorestal Urbano São Joaquim e Canal do Mata Fome.
EM MANAUS, NENHUMA PROPOSTA PARA O ESGOTO
Ao tratar de Manaus, Flávio abandonou o tema da pergunta e passou a falar da economia do Amazonas. Prometeu preservar e ampliar a Zona Franca de Manaus, atrair investimentos em centros de dados e usar o gás natural para produzir fertilizantes. Não apresentou nenhuma medida para ampliar a rede de esgoto da capital amazonense.
Dados divulgados pela Prefeitura de Manaus em 2025 mostravam que cerca de 32% da população tinha o serviço de esgotamento sanitário disponível. A estimativa do IBGE para o mesmo ano indicava 2,3 milhões de habitantes na cidade, o que deixa cerca de dois terços dos moradores fora da rede.











Uma resposta
CHEIRO RUIM,REPUGNANTE E PODRE,TEM ´FLÁVIO E O BANDO BOLSONARO,QUE SÃO O VERDADEIRO ESGOTO DO BRASIL.