Raspagem de balas para ocultar criminosos defendida por Flávio gera revolta de policiais civis

Imagem de IA denunciando projeto defendido por FLávio Bolsonaro - Reprodução/Instagram

Policiais civis e outros agentes de segurança pública criticam a defesa de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, do fim da marcação de munições utilizadas pelas forças de segurança. Vídeos com declarações sobre o tema e as relações políticas do senador com personagens ligados às milícias do Rio de Janeiro circulam no X, antigo Twitter.

Durante sabatina no Jornal Nacional, da TV Globo, em 16 de outubro, Flávio foi questionado sobre o apoio ao projeto que elimina exigências de identificação das munições. Em vez de explicar como a medida contribuiria para o combate ao crime organizado, chamou a questão de “detalhezinho” e alegou que investiria em tecnologia e inteligência artificial.

Os policiais também contestam a associação automática entre profissionais da segurança pública e o bolsonarismo. “Segurança pública não é feita com show de pirotecnia, mas sim com investigação, inteligência e respeito às normas constitucionais”, afirmam. Os policiais questionam ainda a aliança política de Flávio com Márcio Canella, mencionando uma investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de lavagem de dinheiro. “Essa aliança política precisa ser explicada”, declaram.

O delegado de polícia do Amazonas João Tayah também questiona a aliança política do senador. “Flávio Bolsonaro promete guerra ao crime organizado, mas apoiou Márcio Canella”. No mesmo conjunto de manifestações, o delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro Yasser Yassini critica a trajetória de Flávio em relação às milícias. “O Flávio foi contra a CPI das milícias”, declarou.

Yassini também lembrou que Flávio homenageou Adriano da Nóbrega, ex-capitão da Polícia Militar posteriormente apontado pelo Ministério Público como integrante de milícia e grupo de extermínio. Ao comentar a atuação política de Flávio e de seu pai, Jair Bolsonaro, em relação a esses grupos, afirmou: “As milícias nunca combateram crime algum. Não, era o próprio crime”.

Em 2005, Flávio, então deputado estadual, concedeu a Adriano da Nóbrega a Medalha Tiradentes, maior honraria da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Anos depois, a mãe e a mulher de Adriano foram empregadas em seu gabinete na Alerj. O ex-capitão, morto em 2020, foi apontado como integrante de uma organização criminosa. Flávio afirma que não conhecia as acusações contra ele quando o homenageou, versão contestada por Yassini.

Outros agentes de segurança também se manifestaram. O investigador de polícia do Ceará Colombo Siqueira afirma: “Quem combate o crime organizado sabe que discurso não substitui investigação”. Já o delegado de polícia do Distrito Federal Marcos Loure declarou: “Quem defende segurança pública precisa respeitar quem trabalha por ela”.

O delegado Leonardo Affonso, do Rio de Janeiro e presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do estado (Sindepol/RJ), também fez críticas à orientação política defendida pelo senador. “O Brasil precisa de uma polícia comprometida com a lei, não com projetos autoritários”, afirmou.

Outro delegado da Polícia Civil, Pedro Filipe Andrade, do Paraná, explicou por que a identificação dos cartuchos é importante para as investigações. “Rastreabilidade é ferramenta de investigação. Desvio de munição é uma realidade documentada”, afirmou. A marcação permite identificar o lote de origem e cruzar informações com registros de compra, ajudando a investigar como munições adquiridas legalmente chegam às mãos de criminosos.

Andrade citou casos em que cartuchos de um mesmo lote foram encontrados em diferentes crimes e lembrou investigações sobre munições desviadas de estoques legais. Sem a identificação, a perícia perde informações que podem ajudar a reconstruir o percurso do material.

O inspetor Almir Lima, da academia de formação da Guarda Civil Municipal de Jacobina, na Bahia, também questionou a atuação de Flávio em assuntos ligados à segurança pública. Ele mencionou o caso da menina Ana Clara, morta em Niterói, e afirmou que, em 2024, o senador entrou no processo para tentar anular a ação contra o cabo acusado de causar a morte da criança.

As preocupações com o fim da marcação são acompanhadas por dados sobre a circulação de munições. Levantamento do Instituto Sou da Paz, divulgado em 11 de outubro, analisou 31.699 cartuchos de fuzil vinculados ao Comando Vermelho em 29 casos judiciais entre 2018 e 2025. Entre as munições brasileiras originais de fábrica examinadas, 51,9% apresentavam códigos de rastreabilidade institucional, indicando aquisição inicial pelas Forças Armadas ou por instituições de segurança pública.

O estudo mostra que munições que passaram pelo controle estatal chegaram à cadeia de abastecimento de uma das principais facções criminosas do país. A identificação dos cartuchos é uma ferramenta para investigar esse percurso e localizar possíveis pontos de desvio. A retirada das exigências de marcação, prevista na versão do projeto aprovada pela Câmara, reduziria as informações disponíveis para esse tipo de investigação.

O projeto é o PL 3.723/2019, apresentado originalmente durante o governo de Jair Bolsonaro e aprovado pela Câmara dos Deputados em uma versão que elimina exigências de identificação de munições. O texto continua em tramitação no Senado.

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Uma resposta

  1. ARMA COM NUMERAÇÃO RASPADA,MUNIÇÃO SEM IDENTIFICAÇÃO E OUTROS DELITOS, SÃO COISAS DE MILICIANOS E BANDIDOS DE FACÇÕES CRIMINOSAS. E DISSO O FLÁVIO VORCARO BOLSONARO E TODO O BANDO, ENTENDEM MUITO BEM.

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