Emocionado, presidente agradece aos idosos, mulheres e jovens pela eleição, e aponta o rumo de seu 4º mandato; “queremos fazer desse país, um país que pare de ser em desenvolvimento, e se torne desenvolvido”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após a confirmação de sua reeleição, afirmou que “eu fui candidato indicado por um partido político, mas hoje a minha vitória é do povo brasileiro”, reconhecendo o papel das grandiosas manifestações de rua que aconteceram na campanha do 2º turno das eleições presidenciais.
Lula também ressaltou que o resultado representa a vitória sobre “a mentira e o negacionismo”.
O presidente eleito fez uma série de agradecimentos, criticou as interferências externas de plataformas digitais durante a eleição, projetou o Brasil como um país “desenvolvido”, e não mais “em desenvolvimento”, e garantiu que fará o melhor mandato da história do país.
“Hoje a minha fala é agradecimento. Nós tivemos o menor número de abstenções da história deste país. O menor número de votos nulos deste país. E eu tenho que fazer um agradecimento às pessoas que coordenaram a nossa campanha e aos partidos que participaram conosco. Mas eu queria agradecer ao povo brasileiro a generosidade que eles têm comigo há muito tempo. Agradecer a generosidade da juventude brasileira, que foi para a rua defender a democracia”, disse Lula.
Ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e de diversas lideranças políticas, o presidente disse que não foi ele que elegeu os deputados e senadores, mas que “vamos governar com o Congresso eleito pelo povo”.
“Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos. E ele foi eleito para governar com base no respeito da Constituição, na relação com o Congresso. Já tem gente falando: o Lula vai ter muita dificuldade para governar, porque o Congresso está mais conservador. Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu e é com ele que eu vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas”, disse.
Em seu discurso, Lula agradeceu os votos dos idosos e exaltou a mobilização dos jovens nas ruas e nas redes sociais.
“Quero agradecer às pessoas idosas. Eu vi muita cena de pessoas sendo carregadas por seus netos para votar. Pessoas impossibilitadas de se locomover, com câncer ou outro tipo de doença. E as pessoas foram votar, porque conseguimos convencê-las de que o voto era muito importante para assegurar a democracia do país. Quero agradecer à sociedade como um todo. Essa eleição foi uma eleição em que tivemos que vencer a intromissão de fora para dentro, através de plataformas digitais, que nós vamos ter que regular”, completou.
“As pessoas foram votar porque nós conseguimos convencê-las de que o voto era muito importante para assegurar a democracia no país”, disse.
Afirmou, ainda, que aprendeu muitas lições com as eleições, prometeu mudar o jeito de governar, garantiu mais participação popular nas decisões de governo e disse que vai dar mais espaço para a comunicação digital em seu quarto mandato.
O presidente também criticou Flávio Bolsonaro (PL), a quem chamou de “representante genuíno do milicianismo”, e disse que sentiu vergonha de debater com o adversário ao longo da campanha.
Também criticou o que chamou de “intromissão” das plataformas digitais na eleição e voltou a defender regulamentação das redes sociais.
Nesse ponto, destacou a ingerência de empresas bilionárias que operam no Brasil, não pagam impostos e tentam “direcionar o processo eleitoral”, em referência ao caso envolvendo a Meta.
“Não é possível que a gente não tenha consciência de que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual ao crime na vida real. Nós não podemos ter empresas monstruosas de grandes, ganhando milhões e bilhões, não pagando nenhum imposto para esse país, e tentando direcionar o processo eleitoral desse país. Essa eleição foi uma derrota do negacionismo, uma derrota da mentira, e eu confesso que cada vez que ia em um debate, ficava constrangido. Eu já debati com muita gente, já participei de muitas eleições, me reúno todo ano com os principais presidentes do mundo. Mas eu nunca pensei em me deparar com um representante genuíno do milicianismo desse país”, falou.
“Nunca imaginei que uma pessoa pudesse mentir tanto, como se não tivesse dentro dele uma célula de humanismo, parece tudo falso. Eu digo isso porque vocês sabem que o que eu vi nesse segundo turno, o que eu vi em todos os estados brasileiros, sobretudo na Avenida Paulista ontem [sábado, 24], é algo que a gente nunca conseguiu ver, não só pela quantidade de gente, mas pelo entusiasmo. Eu fiquei muito emocionado, sobretudo quando cantaram o Hino da Independência, ‘ou ficar a pátria livre, ou morrer pelo Brasil’. Uma demonstração de que esse país não aceita ser quintal de ninguém”, acrescentou.
Ao abordar suas projeções de governo, Lula destacou ações voltadas para mulheres, jovens e idosos, além de investimentos na área digital — como a criação de uma inteligência artificial brasileira — e do fortalecimento de programas educacionais.
“Queremos fazer desse país, um país que pare de ser em desenvolvimento, e se torne desenvolvido. Muito investimento na economia digital, verde e criativa. Esse país vai ser construído não por mim, mas por vocês. Nós vamos exercitar o potencial criativo desse povo, para deixar de ser um país periférico e ser central nas decisões políticas, econômicas e de paz. Vamos ensinar ao mundo como se trata a política climática”, disse.
Lula reforçou compromissos de campanha, como aumentar investimento em tratamento de câncer no SUS, criar uma Inteligência Artificial nacional, seguir ampliando universidades públicas e universalizar o programa Pé-de-Meia para o ensino médio.
O presidente também fez questão de agradecer ao papel do deputado federal André Janones (Rede-MG) na campanha, que liderou o chamado “Exército do Lula” nas redes sociais.
O parlamentar criou o canal “Exército do Lula” no Whatsapp, onde passava “missões” diárias para os mais de 10 milhões de inscritos. “Eu duvido que a Rússia, que a China e que os Estados Unidos tenham um exército vitorioso como o exército da democracia desse país. Um abraço aos soldados e as soldadas do nosso exército”, brincou Lula.
Antes de discursar, passou a palavra para que seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), falasse primeiro. Ele saudou os jovens e as mulheres e disse ter “profundo respeito” por Lula. “O futuro começa hoje, se chama juventude. Saudar as mulheres que fizeram toda a diferença. Saudar os idosos que se sacrificaram, chegaram lá para votar”, disse Alckmin.
VIRADA INÉDITA
Lula venceu a disputa em uma virada inédita. Ficou atrás no primeiro turno, com 45,16% dos votos válidos, contra 47,03% de Flávio Bolsonaro (PL). Com uma grande mobilização das ruas e das redes sociais, a campanha conseguiu reverter o cenário.
Ontem, na véspera do segundo turno, uma multidão de apoiadores de Lula ocupou a avenida Paulista de ponta a ponta para o último ato da campanha do presidente. No dia 11, milhares de pessoas também lotaram a avenida, mesmo sem a presença do candidato.
A campanha voltou os esforços para convencer os indecisos e aqueles que não foram votar no primeiro turno. Apoiadores do petista também se uniram um movimento para virar os votos de quem escolheu outros candidatos no primeiro turno.
As taxas de abstenção e de votos brancos e nulos caíram no segundo turno e foram as mais baixas desde 2002. O número de eleitores ausentes neste domingo foi de 30,4 milhões. Já os votos inválidos atingiram 3,23%.










