Em comício na reta final das eleições legislativas, mandatário fascista diz que não quer ver mais noruegueses nos Estados Unidos
O mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou atacar de forma grosseira a Noruega por não ter recebido o Nobel da Paz, dizendo que o país “é uma droga” e se tornou um “país de merda” (shithouse country).
A agressão foi proferida com todas as letras em um comício de campanha em Port Huron, Michigan, no domingo (25), para apoiar o republicano Mike Rogers na disputa pela vaga aberta no Senado, contra o democrata Abdul El-Sayed, nas eleições legislativas de 3 de novembro.
Todos têm presente no currículo de Mike Rogers a figura desqualificada de “linha-dura” como ex-oficial do Exército, ex-agente especial do FBI e ex-membro da Câmara dos Representantes, em particular o seu papel na defesa dos crimes do governo de Israel contra a população palestina e na “guerra comercial” com o Canadá.
Sobre a trajetória de Trump como pacifista, o incentivador sionista e amigo de Benjamin Netanyahu jura de pés juntos ter “encerrado oito guerras” e ter “mais duas a caminho”, numa referência ao Irã e à Ucrânia, antes de lembrar a imensa expectativa que tinha para o anúncio do prêmio deste ano.
Mas a realidade se impôs e o Nobel da Paz de 2026 foi para a jurista sul-africana Navi Pillay, descrita por Trump como alguém de quem “ninguém nunca ouviu falar”. Em seguida, nitidamente descontrolado, o guia de Milei e Bolsonaro ligou o episódio à imigração, apontando que vai rever o tratamento com os habitantes do país: “Não quero ninguém da Noruega. Não quero nada com a Noruega”. O mesmo tom já foi usado pelo fascista contra habitantes do Haiti, da Líbia, da Somália e do Iêmen.
Diante do desrespeito, o chanceler norueguês, Espen Barth Eide, reagiu na segunda-feira (26), explicando que Trump “sabe muito bem” que o Comitê do Nobel é independente e que o governo do país escandinavo já havia explicado, recordado e reiterado isso a ele. A agência de notícias Bloomberg registrou que Oslo repudiou os insultos e apontou que a irritação do presidente estava mal dirigida.
Não é a primeira vez que Trump faz da negativa do Nobel da Paz uma queixa contra o país. Horas depois do anúncio, em 9 de outubro, ele havia dito que a decisão deixava uma “mancha indelével” na Noruega. Em janeiro, escreveu ao premiê Jonas Gahr Støre que não se sentia mais obrigado a “pensar puramente na paz”, e Støre respondeu que o prêmio é concedido por um comitê independente.










