Estudantes franceses retomam manifestações em Paris, Marselha e Lyon

"Mais educação, menos precariedade", defendem os estudantes em Paris.(


Nesta segunda-feira (2) os estudantes do ensino médio retomaram os bloqueios de escolas em cidades como Paris, Marselha e Lyon.

Segundo dados do Ministério da Educação Nacional, 41 instituições de ensino estavam sem aulas. O colégio Hélène-Boucher, considerado um dos principais focos dos protestos estudantis, voltou a ser bloqueado na manhã desta segunda-feira (2) após alguns dias. Cerca de 20 estudantes fizeram piquetes e colocaram lixeiras diante da entrada, impedindo o acesso ao edifício.

Os estudantes protestam há um mês contra prédios escolares negligenciados, falta de professores e um sistema de admissão universitária considerado injusto, além do aumento dos preços. As mobilizações provocaram uma resposta progressivamente repressiva do governo francês, que estabeleceu reforços no contingente policial, toques de recolher em cidades determinadas e proibição de protestos convocados por entidades não-sindicais.

MANIFESTANTES TAMBÉM EXIGEM PROTEÇÃO ÀS LIBERDADES CIVIS

Nas manifestações em Paris, o movimento reuniu grupos de origens distintas, entre eles ativistas dos coletes amarelos, sindicatos e estudantes do ensino médio e universitários. As reivindicações inicialmente se concentravam no aumento do custo de vida, na rejeição da desigualdade social e da deterioração das condições de ensino.

Porém, depois dos confrontos que houve e da resposta policial as reivindicações se ampliaram. Parte dos manifestantes passou a denunciar também restrições ao direito de protestar e exigir maior proteção às liberdades civis.

Na capital francesa, o Conselho de Estado, a mais alta instância administrativa do país, decidiu alterar o trajeto da principal manifestação prevista para a cidade, no sábado passado. O percurso inicialmente anunciado entre Bastilha e Nação, no centro de Paris, foi substituído por um itinerário entre Porta de Bagnolet e Porta de Charenton, na periferia da cidade, enfrentando forte rejeição dos trabalhadores que aumentaram a mobilização.

A nova jornada de protestos ocorre em um momento de forte tensão política na França, a cerca de seis meses da eleição presidencial prevista para 18 de abril de 2027. O ambiente social já vinha sendo marcado por manifestações e confrontos, e o presidente Emmanuel Macron se mostrou inconformado, declarando nesta semana que não é normal que o país esteja mergulhado em tamanha turbulência tão próximo de uma eleição. Como se a política aplicada pelo seu governo não tivesse nenhuma responsabilidade pela crise.

A União Nacional dos Estudantes da França convocou novas manifestações em todo o país anunciando um dia de bloqueios nas universidades para terça-feira (3) e uma grande mobilização nas ruas na quinta-feira (5).

“Se o governo não quer nos ouvir, declaramos 3 de novembro um dia de paralisação nas universidades: participem das assembleias gerais e bloqueiem suas instituições. Na quinta-feira, dia 5, vamos às ruas em massa”, convocou a entidade.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *