“O recuo de 17,9% no consumo aparente do primeiro bimestre evidencia que o investimento produtivo perdeu tração de forma relevante. A política monetária restritiva segue como vetor central”, alerta diretora da entidade
Os juros em patamares elevados por longo período atingiu em cheio a indústria de máquinas e equipamentos no início deste ano. “O investimento produtivo do país entrou em uma fase de contração mais evidente do que se supunha no final de 2025”, manifestou a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), ao divulgar, na segunda-feira (30), o balanço do setor do mês de fevereiro.
As vendas de máquinas e equipamentos no país caíram 14,2% em fevereiro, em relação ao mesmo mês do ano passado, totalizando R$ 29 bilhões em bens produzidos no país e importados (consumo aparente). Nesse cenário, a contração de 18,8% nas receitas direcionada ao mercado interno no mês “revela mudança no ciclo de investimentos do país”.
Na comparação com janeiro, as vendas de máquinas em fevereiro subiram 8,5%. No acumulado do primeiro bimestre, as vendas de máquinas recuaram 17,9%, para R$ 55,6 bilhões.
Durante coletiva à imprensa, Maria Cristina Zanella, diretora de Competitividade, Economia e Estatística da Abimaq, destacou os efeitos perversos dos juros altos sobre a produção e o consumo de máquinas no país.
Segundo Zanella, a redução de apenas 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, “foi um movimento simbólico, sem efeito prático sobre o custo do investimento”. “Esperava-se uma queda maior”, destacou. A Selic caiu de 15% para 14,75% ao ano, mantendo o Brasil com a segunda maior taxa de juros reais (descontada a inflação) do mundo.
“O recuo de 17,9% no consumo aparente do primeiro bimestre evidencia que o investimento produtivo perdeu tração de forma relevante. A política monetária restritiva segue como vetor central. Apesar da decisão do Copom de iniciar o ciclo de afrouxamento, a taxa de juros ainda se encontra em patamar altamente contracionista”, alertou a diretora da Abimaq. .
“Além de a elevada taxa de juros tornar as aplicações no mercado financeiro mais atrativas em comparação aos retornos do setor produtivo e de elevar o custo do crédito – encarecendo o serviço da dívida das empresas e aumentando a inadimplência – há o aumento da incerteza quanto à demanda futura, decorrente da desaceleração econômica”.











