Ativista Thiago Ávila é detido no Panamá ao retornar da Flotilha de Solidariedade a Cuba

“Agentes falando inglês - em um país de língua espanhola - e sendo hostis”, denunciou o brasileiro.(X/@Thiagoavilabr)

“Tudo o que fazem é aumentar nossa vontade e senso de urgência para derrotar o imperialismo dos EUA, o sionismo israelense e seu projeto de dominação”, afirmou Ávila

O ativista Thiago Ávila foi detido para “interrogatório” pela polícia panamenha durante uma conexão no Aeroporto Internacional de Tocumen, ficando incomunicável por seis horas, quando regressava ao Brasil após participar do Comboio Nuestra América de solidariedade a Cuba.

Sem ter o Panamá como destino final, ele foi abordado na área de conexão do aeroporto e levado para ser investigado por “agentes falando inglês – em um país de língua espanhola – e sendo hostis” na manhã de quarta-feira (25). “Não há esclarecimentos sobre os motivos da detenção, o que levanta preocupações sobre possível criminalização de ações humanitárias”, declarou.

Organizador de uma caravana de solidariedade a Palestina, ao lado de ativistas internacionais como a sueca Greta Thunberg, o brasileiro já havia sido preso e mantido cinco dias em solitária por tropas israelenses por tentar transportar ajuda humanitária à Faixa de Gaza. A defesa de Ávila relatou ameaças e coação por parte dos agentes sionistas para forçar a assinatura de documentos.

A nova detenção ocorreu após o brasileiro participar do Comboio Nuestra América que, enfrentando o criminoso bloqueio norte-americano, levou toneladas de alimentos, equipamentos e painéis solares para a Ilha caribenha. Outros integrantes da iniciativa, como Chris Smalls e Katie Halper, também foram detidos, em Miami, nos Estados Unidos.

Em nota divulgada em suas redes sociais Thiago Ávila agradeceu a somatória de energias. “Muito obrigado por toda a solidariedade! Eles acham que podem nos assustar, mas tudo o que fazem é aumentar nossa vontade e senso de urgência para derrotar o imperialismo dos EUA, o sionismo israelense e seu projeto de dominação que causa efeitos horrendos em tantos países. Estou muito feliz que verei minha família em poucas horas”, assinala o post.

GOVERNO DO PANAMÁ ASSUME PAPEL DE MARIONETE DE TRUMP

A prática de intimidação e perseguição contra autoridades e representantes progressistas vem sendo cada vez mais adotada como política de Estado pelo subserviente governo panamenho, cada dia mais vassalo de Donald Trump.

No dia 24 de fevereiro, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, denunciou que sua mala diplomática teve uma abertura forçada, uma violação direta do direito internacional. Em um comunicado oficial, Caracas invocou o Artigo 27 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961, que estabelece a inviolabilidade da mala diplomática e proíbe sua abertura ou retenção sob quaisquer circunstâncias.

No dia 6 de março, o jornalista Franklin Martins, ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom) no segundo governo Lula (2007-2010), foi detido no mesmo aeroporto panamenho, enquanto realizava uma conexão para a Cidade da Guatemala, onde participaria de um seminário universitário.

Franklin teve seu passaporte retido e ele foi submetido a um interrogatório sobre seu passado político. Após uma espera de quatro horas, um agente informou que ele não iria seguir viagem e seria deportado. Embora tenha solicitado às autoridades panamenhas para que entrassem em contato com a Embaixada do Brasil ou permitissem uma simples ligação telefônica, o pedido foi negado. Sem qualquer explicação, ele foi deportado.

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