Banqueiros do Focus seguem rotina de sabotar o país e projetar juros altos

Banco Central. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Na contramão da expectativa dos brasileiros, aumentam a taxa Selic

Os bancos voltaram a projetar inflação e juros maiores para o final de 2026, mantendo pressão para continuidade dos juros nas alturas no Brasil. Segundo o Boletim Focus do Banco Central, desta segunda-feira (23), os “analistas do mercado” aumentaram o ponto médio das projeções do IPCA, de 4,10% para 4,17%. No caso da Selic (taxa básica de juros), subiu de 12,25% para 12,5%. 

Há quatro semanas, a projeção estava em 3,91%. Mas os bancos usam as “incertezas” no cenário internacional, ante guerra unilateral de Donald Trump contra o Irã, para retomar o aumento das expectativas  de inflação e dos juros para pressionar o BC a realizar cortes mínimos, manter ou elevar ainda mais o nível da Selic.

Os bancos justificam que o conflito levou ao aumento das cotações do barril de petróleo no mercado internacional, o que elevaria o aumento dos combustíveis de forma global. Mas no Brasil, como no resto do mundo, elevar os juros não resolve problemas de oferta, mas agrava as condições econômicas, devido ao encarecimento ainda maior do custo do capital e do arrocho sobre a demanda por bens e serviços.  

Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reduziu a taxa Selic em apenas 0.25 ponto percentual (p.p), baixando a taxa nominal de juros de 15% para 14,75%. Esse movimento frustrou o país, principalmente os empresários do setor produtivo, que exigiam um corte maior nos juros. 

Para o  presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, não há o que comemorar neste “tímido” corte de 0,25 p.p da Selic pelo Copom

“0,25 jamais pode ser comemorado”, afirmou o empresário, ao avaliá-lo como insuficiente para o setor produtivo. A entidade calcula que com a Selic em 14,75% a.a., a taxa de juros real (descontada a inflação) situa-se em 10,4% ao ano. Decisão do Copom “é incapaz de reverter prejuízos à economia”, alerta a CNI.

“A nossa crítica às taxas de juros hoje é sobre o patamar que ela se encontra totalmente de forma irascível no entendimento de quem produz”, disse Ricardo Alban, ao destacar que embora o cenário externo exija atenção, o patamar atual da taxa de juros está desconectado da realidade de quem produz. 

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