Durante a gestão de Castro, o RioPrevidência — fundo responsável por aposentadorias e pensões de servidores — destinou cerca de R$ 1 bilhão ao Master, banco de Daniel Vorcaro
O então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), embarcou rumo a Lima, no Peru, em novembro de 2025, para assistir à final da Libertadores. Mas não foi apenas o destino que chamou atenção.
O trajeto foi feito em jato executivo cuja gestão está ligada à empresa citada em investigações da Polícia Federal dentro de esquema atribuído ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. As informações estão na coluna do jornalista Octavio Guedes, no g1.
A aeronave, operada pela Prime Aviation, aparece em relatórios policiais como parte de engrenagem financeira sob suspeita. A viagem ocorreu na véspera da decisão entre Flamengo e Palmeiras e reuniu 12 passageiros. Entre eles, familiares do governador, o advogado Willer Tomaz, entre outros.
DINHEIRO PÚBLICO E APOSTAS ARRISCADAS
O pano de fundo da viagem adiciona camadas à história. Durante a gestão de Castro, o RioPrevidência — fundo responsável por aposentadorias e pensões de servidores — destinou cerca de R$ 1 bilhão ao Banco Master, instituição ligada a Vorcaro.
A operação foi considerada de alto risco e contrariou pareceres técnicos.
Não foi movimento isolado. A Cedae, estatal de água e esgoto do Estado, também aplicou aproximadamente R$ 200 milhões no mesmo banco.
O então presidente do RioPrevidência à época dos aportes, Deivis Marcon Antunes, acabou preso, ampliando ainda mais o peso das suspeitas sobre o caso.
TEIA EMPRESARIAL SOB SUSPEITA
A empresa responsável pela gestão da aeronave, Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços Ltda., tem entre os sócios Arthur Martins de Figueiredo. Segundo a PF, ele atuaria como operador financeiro de Vorcaro, movimentando recursos e ajudando a ocultar patrimônio por meio de estruturas complexas.
Arthur também teve atuação na gestora Trustee DTVM e foi alvo de operação policial em agosto de 2025, quando o celular dele foi apreendido.
Mensagens encontradas reforçariam, na visão dos investigadores, a ligação direta com Vorcaro.
NEGATIVAS, DESCONHECIMENTOS E MEMÓRIAS SELETIVAS
Cláudio Castro afirma desconhecer qualquer relação entre a viagem e os investimentos públicos no Banco Master. Disse também não conhecer Arthur Martins:
“Nunca ouvi falar desse Arthur. Para mim, o dono do avião é o Willer.”
Sobre Vorcaro, o ex-governador sustenta que o contato se limitou a encontros em eventos internacionais, sem tratar de temas ligados ao RioPrevidência. Alega ainda que o fundo tinha autonomia nas decisões de investimento.
Curiosamente, Castro nomeou o então presidente do órgão, mas afirma não se lembrar da indicação. Nos bastidores, há versões que atribuem a escolha ao dirigente partidário Antonio Rueda. Hipótese que o ex-governador relativiza.
VERSÕES ALINHADAS OU QUASE
O advogado Willer Tomaz confirmou que é cliente da empresa responsável pela gestão do jato, mas disse não conhecer nem Arthur nem Vorcaro.
Acrescentou que, diante da repercussão, pretende se desfazer da participação na sociedade proprietária da aeronave.
CASO NO STF E DESDOBRAMENTOS
As conexões entre a Prime Aviation e Daniel Vorcaro vieram à tona durante a Operação Quasar, que investiga esquemas bilionários envolvendo lavagem de dinheiro e fraudes financeiras.
Com o avanço das apurações, os elementos foram compartilhados com outras frentes da Polícia Federal.
O caso já chegou ao Supremo Tribunal Federal e está sob relatoria do ministro André Mendonça.
No fim, entre coincidências demais, desconhecimentos convenientes e bilhões em jogo, a viagem ao Peru acabou virando apenas detalhe — talvez o mais visível — de história bem maior.











