Brasil tem jornada maior do que países como França e Holanda, afirma deputado Orlando Silva

Deputado rebateu “estudo” publicado Folha que afirma que brasileiro trabalha pouco

O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) respondeu, em suas redes sociais, à matéria encomendada pela Folha de S. Paulo sobre a jornada de trabalho dos brasileiros. Na tentativa de mostrar que o brasileiro “trabalha pouco” (40,1 horas semanais), a partir de comparações com países como Butão, Sudão e Emirados Árabes Unidos, o mesmo “estudo” deixa claro que à frente do Brasil, com jornadas menores, estão países como França (31 horas semanais), Japão (35,5), Noruega (27,8) e Holanda (27,6). Confira, abaixo, a reação do deputado:

“‘Em comparação com o resto do mundo, o brasileiro não trabalha muito e nem pode ser considerado particularmente esforçado’. (Folha de São Paulo).

Essa matéria me pareceu absurda, mas depois eu pensei um pouco e me parece mais que isso. Parece mal-intencionada. E o que é pior, eles pegam a lista de 160 países e o Brasil está na posição 38, ou seja, há 122 países do mundo onde se trabalha menos que no Brasil. E o curioso é que o parâmetro que eles têm é o Sudão, é o Butão. Não são os países mais desenvolvidos, em que a jornada de trabalho já é, há algumas décadas, menor do que a jornada de trabalho do Brasil.

E mais curioso ainda é que essa matéria, que parece forjada, aparece no momento em que há um debate público sobre a redução da jornada de trabalho sobre o fim da escala 6×1. Há uma tentativa de forjar o cenário do mercado trabalhado brasileiro para impedir um avanço importante, que é o debate acerca da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1.

O que se pretende é manter o atual grau de exploração dos trabalhadores brasileiros. Esses dias eu publiquei nas minhas redes um vídeo de uma mulher que falava que trabalhava o mês inteiro, hora extra, com o sacrifício da família, sacrifício até mesmo do seu corpo físico, para quê? Para garantir a Hilux nova da patroa no final do ano e garantir os seus luxos. Essa é a realidade do Brasil.

Tem gente que fala de mérito, eu digo que é exploração. E é por isso que acabar com a jornada 6×1 é fundamental para virarmos este jogo. Acabarmos com a superexploração dos trabalhadores brasileiros, com a concentração de renda e com a desigualdade. É isso também que faz o Brasil ser um dos países mais desiguais do mundo. Por isso a nossa luta é pelo fim da escala 6×1. Redução de jornada de trabalho sem reduzir salários, sem reduzir direitos.”

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