Castro manipulou Rioprevidência para viabilizar negociatas com Vorcaro, aponta técnico da Fazenda

Governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

“Ele [governador] indicou as pessoas que, assim que assumiram, viabilizaram o esquema. O credenciamento do Banco Master veio logo após a nomeação de Deivis Marcon Antunes”

O economista Hugo Bertha, assessor parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e ex-coordenador de acompanhamento e controle da despesa pública da Secretaria da Fazenda do Estado, em entrevista a Brasil de Fato (24/2), relata que o Rioprevidência, com aval do governador Claúdio Castro, aportou sozinho mais da metade do valor investido por todos os 18 fundos estaduais e municipais do país em letras financeiras do Master.

“No caso do Rioprevidência, o investimento principal foi de R$ 960 milhões, que é um valor absurdo. De todos os 18 fundos de previdência estaduais e municipais que colocaram dinheiro nas letras financeiras do Master, o Rio de Janeiro botou mais da metade sozinho”, declarou.

Para Hugo Bertha, as aplicações do Rioprevidência no Master aconteceram em um esquema previamente organizado, onde o banco foi credenciado logo após a nomeação da nova diretoria pelo governador Cláudio Castro.

“Nós temos indícios fortes de que foi proposital. O presidente que foi preso recentemente [Deivis Marcon Antunes] assume o Rioprevidência e no dia seguinte o Banco Master se credencia para receber investimentos do Rioprevidência. Poucas semanas depois, nem duas semanas completas depois, já tinha tido o primeiro aporte. E a gente vê que é uma cronologia muito explícita”, afirmou.

Para Bertha, o governador Cláudio de Castro pode ser “completamente” responsabilizado pela uso da Rioprevidência para acobertar as fraudes do Mater. “Ele indicou as pessoas que assim que assumiram, viabilizaram o esquema. O credenciamento do Banco Master veio logo após a nomeação de Deivis Marcon Antunes”.

Os diretores, já exonerados de seus cargos, estão sendo investigados pela Polícia Federal e o ex-presidente Deivis Marcon Antunes foi preso.

O Fundo de Pensão Rioprevidência do Rio de Janeiro, fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de 235 mil servidores, de acordo com relatório do Tribunal de Contas do Estado, realizou diretamente um investimento de R$ 960 milhões. Um levantamento técnico do tribunal calcula que a exposição total chegou a R$ 2,6 bilhões, quando se incluem aplicações em instituições ligadas ao conglomerado, como corretoras e gestoras. Esse montante chega a 25% do total do fundo.

“No depoimento do próprio [dono do Banco Master, Daniel] Vorcaro à Polícia Federal, ele disse que o plano de negócios do banco era, isso são aspas dele, ‘100% baseado no FGC’. O que é muito estranho de ouvir ele falar. Porque o FGC é o Fundo de Garantia do Multicrédito, cujo principal papel é trazer segurança para investidores, especialmente pessoas privadas. Então você falar que uma estratégia de um banco é 100% em cima do FGC, é estranho, porque o FGC não existe para salvar instituições insolventes. Parece que a insolvência já era um plano de negócios”.

Depois de anos operando nessas condições, e desviando muito dinheiro para o próprio bolso, a falta de liquidez seria inevitável e diante da eminente falta de recursos para “honrar” seus compromissos ou postergar sua falência, Vorcaro aciona seus contatos políticos para conseguir vender títulos de crédito a Fundos de Previdência, que movimentam quantias elevadas de recursos.

“Chamou a atenção quando o Banco de Brasília (BRB) quis comprar um banco que estava com graves problemas de liquidez”, diz sobre a tentativa do bolsonarista Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal, salvar o Master.

Decretada a liquidação extra judicial do Master pelo Banco Central (BC) vem à tona R$ 1,87 bilhão de investimentos de fundos de Previdência de funcionários de prefeituras e de estados feitas no banco.

Em depoimento à Polícia Federal em janeiro, Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), revelou que na liquidação o Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa, insuficientes e incompatíveis para uma instituição de médio porte.

O governo do bolsonarista Cláudio Castro no Rio de Janeiro é alvo de investigações da Polícia Federal. As aplicações realizadas entre 2023 e 2024 são consideradas de alto risco, sem cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e sob suspeita de diversas irregularidades.

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