Ele desviou dinheiro público, do Ceperj, para despejar ilegalmente em sua campanha. Além disso, desviou R$ 1 bi dos aposentados para o Banco Master e apoiou traficante do CV
O governador bolsonarista Cláudio Castro, do rio de Janeiro, renunciou ao cargo nesta segunda-feira (23). Ele abandona a administração do estado nas vésperas de ser cassado pelo Tribual Superior Eleitorial (TSE) e ficar inelegível por 8 anos.
O crime cometido por ele foi o de abuso do poder político e econômico na eleição de 2022. Eles usaram recursos de programas públicos com finalidade eleitoral. O placar no TSE estava em 2 a 0 pela perda do mandato até o pedido de vista do ministro Nunes Marques.
DESVIO MILIONÁRIO
Os criminosos (ele e Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj) desviaram dinheiro público, marca registrada do bolsonarismo. Eles usaram a Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) para a contratação irregular de milhares de pessoas sem concurso. A manobra envolveu a Fundação Ceperj (Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro).
Com a renúncia, o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do RJ, assume o cargo e convoca eleições indiretas para definir quem ocupará o governo estadual até o fim de 2026.
Castro já tinha manifestado a intenção de concorrer ao Senado. A manobra da renúncia visa burlar a Justiça Eleitoral. Tanto ele quanto os ocupantes de cargo público têm que se desincompatibilizar até 4 de abril. Na sexta, Castro exonerou 11 secretários, que vão concorrer a algum cargo em outubro.
TH JOIAS E O CV
Castro é suspeito também de ter autorizado que R$ 1 bilhão do Rioprevidência, instituto de previdência dos servidores do estado, fosse desviado dos aposentados para ser injetado no Banco Master, de Daniel Vorcaro. Ele também deve explicações à sociedade sobre relações com TH Joias, traficante de armas ligado ao Comando Vermelho, facção criminosa do Rio de Janeiro.
HISTÓRICO
Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar são acusados de terem montado um esquema usando o Centro Estadual de Estatísticas e Formação de Servidores Públicos (Ceperj) e a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) para fazer contratações sem seleção pública, a fim de ganhar apoios nas eleições de 2022.
A chamada “folha de pagamento secreta” no Ceperj e na Uerj envolvia 27 mil cargos temporários na Ceperj e 18 mil na Uerj. Os réus foram investigados por abuso de poder econômico, político, de autoridade e a utilização indevida dos meios de comunicação social. Ao todo, foram feitos saques na “boca do caixa” no valor de R$ 248 milhões.
45 MIL FANTASMAS
Ao todo, foram cerca de 45 mil contratações ilegais de “funcionários fantasmas” que beneficiaram Cláudio Castro e Bacellar. O Ministério Público Eleitoral (MPE) aponta que foram selecionados para as contratações “apoiadores políticos” dos dois, que atuaram como cabos eleitorais “disfarçados de servidores públicos temporários”.
Segundo a relatora do processo no TSE, Isabel Gallotti, houve “distribuição massiva e obscura de recursos públicos” buscando favorecimento eleitoral.
“Observadas em conjunto, as condutas revelam elaborado esquema de uso da estrutura administrativa estadual e seus recursos com a finalidade de influenciar nas eleições. Os investigados usaram disposições de comando no governo estadual para, valendo de suas prerrogativas, construir um projeto de poder”, escreveu em seu voto.
Ela votou ainda para que o ex-presidente da Ceperj, Gabriel Rodrigues Lopes, e o vice-governador, Thiago Pampolha, sejam tornados inelegíveis.











