“Compras públicas de defesa são um instrumento estratégico para estimular a produção nacional, adensar cadeias industriais e impulsionar pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) com efeitos multiplicadores em toda a economia”, defende Fiesc
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende que o Brasil pode avançar na substituição de importações industriais de defesa pela produção interna, pois o país atingiu a capacidade de produzir armamentos, radares, mísseis e aeronaves militares.
Em seu estudo inédito, a entidade aponta que “se o Brasil produzisse cerca de um terço dos produtos de defesa e segurança que hoje importa, o país poderia criar 226 mil empregos diretos e indiretos e arrecadar R$ 9,9 bilhões em tributos indiretos e contribuições sociais”. De acordo com a entidade ainda, “o impacto total no valor da produção seria de R$ 60,9 bilhões”.
A CNI lançou um novo simulador que mede os efeitos socioeconômicos de substituir importações por produção interna, considerando os impactos em emprego, renda e arrecadação fiscal. Os números deste indicador foram divulgados na última quinta (27), durante a 26ª reunião do Conselho de Desenvolvimento da Indústria de Defesa (Condefesa), que aconteceu na sede da entidade, em Brasília, com a presença de empresários, especialistas e representantes das forças armadas do Brasil.
A CNI mostrou que, atualmente, o Brasil importa, em média, R$ 70,8 bilhões por ano em produtos de defesa e segurança, com itens que vão desde coletes balísticos e trajes antibombas até mísseis e peças e componentes para aeronaves militares.
Na avaliação do presidente do Conselho de Desenvolvimento da Indústria de Defesa e da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Mário Aguiar, o Brasil já conta com base interna capaz substituir insumos críticos e produtos acabados de defesa e segurança nas compras do Estado brasileiro.
“Compras públicas de defesa são um instrumento estratégico para estimular a produção nacional, adensar cadeias industriais e impulsionar pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) com efeitos multiplicadores em toda a economia”, defende Aguiar.
De acordo com a CNI, hoje mais de 90% das importações no setor são de uso dual, ou seja, com aplicação tanto militar quanto civil. Sendo assim, essa característica amplia o potencial de desenvolvimento tecnológico e produtivo, que podem atingir setores de telecomunicações, aeroespacial, automotivo, cibernético e energético.
“A nacionalização, mesmo parcial”, ressalta a CNI, em nota, “pode reduzir a vulnerabilidade externa em setores sensíveis, estimular a inovação e fortalecer a soberania tecnológica do país”.
O especialista em políticas e indústria da CNI, Danilo Severian, esclarece que o fortalecimento da base industrial de defesa tem efeitos importantes nas cadeias produtivas de alta complexidade.
“É um setor capaz de elevar o patamar tecnológico do país e criar oportunidades tanto para grandes empresas quanto para startups e centros de pesquisa”, comenta. Além disso, há a geração de emprego e renda. “O fortalecimento da base industrial de defesa cria oportunidades de carreira em áreas de ponta e pode contribuir para reduzir a evasão de talentos brasileiros para o exterior”.
Caso o Brasil produzisse 30% do que hoje importa em produtos de defesa, o Observatório Nacional da Indústria projeta uma geração de 123 mil vagas formais em solo brasileiro, sendo: 6.900 em ocupações de inovação; 2.426 em áreas técnico-científicas ligadas à pesquisa e desenvolvimento (P&D); 5.393 para técnicos e tecnólogos; e 1.241 para engenheiros.











