“O assassinato de jornalistas em Gaza e no Líbano não é incidental – é parte de um ataque mais amplo à liberdade de imprensa. A comunidade internacional deve agir agora para deter os assassinos”, diz comunicado do Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ), com sede em Nova York, nesta sexta-feira, dia 10, após a morte de três jornalistas pela força de Netanyahu.
O Sindicato dos Jornalistas Palestinos (PJS) também condenou veementemente o assassinato por Israel, no dia 7 de abril, do jornalista Mohammad Samir Washah, correspondente da Al Jazeera, morto após um veículo civil ser alvejado na Cidade de Gaza. De acordo com a entidade, o novo crime de guerra cometido por Israel eleva para 262 o número de jornalistas assassinados na agressão iniciada em 7 de outubro de 2023 pelas forças de ocupação israelenses.
EXECUÇÃO DA VERDADE
O crime constitui uma “execução extrajudicial do jornalismo e da verdade”, declarou o PJS, enfatizando que o ataque a Washah não foi um incidente isolado, mas sim parte de uma campanha sistemática da ocupação para silenciar a voz palestina e atacar jornalistas numa tentativa de obscurecer a verdade e minar a narrativa palestina.
O PJS também condenou o assassinato, nesta quarta 8 de abril, das jornalistas libanesas Ghada Al-Dayekh, repórter da rádio Sawt Al-Farah, e Suzan Khalil, da Al Manar TV, considerando-o “uma extensão da política de ataques a jornalistas onde quer que estejam e uma expansão perigosa do âmbito das violações”, e lembrou que “atacar jornalistas no exercício de suas funções profissionais constitui uma violação flagrante do direito internacional e das normas humanitárias, e equivale a uma declaração de guerra aberta contra a mídia”.

Jornalista Susan Khalil assassinada no Líbano
O Sindicato responsabilizou as autoridades de Israel integral e diretamente por esses crimes, descrevendo-os como crimes de guerra que merecem julgamento internacional, imediata e transparente, assim como a garantia de proteção urgente aos jornalistas, a responsabilização dos culpados, o fim da impunidade e a interrupção dos ataques sistemáticos contra a mídia palestina.
A jornalista libanesa Ghada Daikh, da Rádio Sawt Al-Farah (Voz da Alegria), foi assassinada em Tiro, no sul do Líbano. Outra jornalista morta no mesmo dia foi Suzan Al-Khalil, da emissora TV Al-Manar.
Em Gaza, Israel assassinou o jornalista Muhammad Washah, da emissora árabe Al Jazeera, que tem sede no Catar. Nesse caso, a IDF emitiu comunicado assumindo a autoria do atentado contra o jornalista e assacando contra ele.
“Washah atuava sob o disfarce de jornalista da Al Jazeera, explorando essa identidade para promover atividades terroristas contra as forças de defesa de Israel e o Estado de Israel”, disse o Exército israelense.
CRIME HEDIONDO
A emissora Al Jazeera classificou o ato como “crime hediondo” e refutou a acusação de que Washah era integrante do Hamas, lembrando que o profissional atuava na empresa desde 2018.
Washah foi morto após um drone atingir o carro em que viajava a oeste da cidade de Gaza, segundo a emissora.

Muhammad Washah, assasinado em Gaza
“Isto constitui uma violação nova e flagrante de todas as leis e normas internacionais e reflete uma política sistemática contínua de perseguição a jornalistas e silenciamento da voz da verdade. É um crime deliberado e direcionado, com o intuito de intimidar jornalistas e impedi-los de exercer suas funções profissionais”, disse comunicado da TV do Catar.
Com tantas mortes, Israel já trucidou mais jornalistas e profissionais de mídia do que qualquer guerra da história mundial. São mais mortes que a soma de outros sete importantes conflitos: as 1ª e 2ª guerras mundiais, a Guerra Civil Americana, a da Síria, do Vietnã (incluindo os conflitos no Camboja e no Laos), além das guerras na Iugoslávia e na Ucrânia.
Matéria produzida com informações constantes na sessão “Dossiê Genocídio Gaza” do Site do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Pulo.











