CPI convoca os bolsonaristas Cláudio Castro, Campos Neto e Ibaneis Rocha

CPI quer explicações deles: Cláudio Castro, Campos Neto e Ibaneis Rocha (Fotos: Lula Marques - José Cruz - Marcelo Camargo - Agência Brasil)

Convocações da CPI do Crime Organizado expõem conexões entre poder político, sistema financeiro e engrenagens com as facções

A Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado no Senado aprovour, nesta terça-feira (31), a convocação dos ex-governadores Ibaneis Rocha (MDB-DF) e Cláudio Castro (PL-RJ), além da reconvocação do ex-presidente do Banco Central, o bolsonarista Roberto Campos Neto.

A decisão marca uma mudança na estratégia da CPI, que passa a mirar de forma mais direta a interface entre agentes públicos, instituições financeiras e estruturas sofisticadas de lavagem de dinheiro.

Relator da comissão, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) sustenta que o depoimento de Ibaneis é peça-chave para esclarecer relações comerciais entre o escritório de advocacia do ex-governador do DF e entidades sob investigação da Polícia Federal, bem como decisões de governo que envolveram negociações entre o BRB (Banco de Brasília) e o Banco Master.

SISTEMA FINANCEIRO SOB ESCRUTÍNIO

Segundo o parlamentar, há indícios de contratos milionários com grupos financeiros investigados, além de movimentações consideradas atípicas que envolvem conglomerados empresariais.

No centro das suspeitas está a atuação do governo distrital na tentativa de aquisição do falido Banco Master pelo BRB, operação que envolveria bilhões em ativos contestados. O governo do DF, através do BRB, pagou R$ 12 bilhões por titúlos falsos do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Essa transação deu prejuízo bilionário ao BRB, banco público. O agora ex-governador do DF tenta tapar o rombo causado na negociata torrando bens públicos.

Para a CPI, compreender os critérios políticos e técnicos que sustentaram essa articulação é essencial para dimensionar eventuais riscos de captura institucional e uso indevido de estruturas públicas.

RIO COMO LABORATÓRIO DO CRIME

No caso do Rio de Janeiro, a convocação de Cláudio Castro busca iluminar cenário descrito como “mutação alarmante” do crime organizado.

Vieira aponta que o Estado se consolidou como laboratório de novas dinâmicas criminosas, onde a antiga separação entre facções do narcotráfico e milícias deu lugar à simbiose operacional: a chamada narcomilícia.

Esse fenômeno, segundo a CPI, desafia os modelos tradicionais de combate ao crime e evidencia falhas estruturais no aparato estatal.

PARTICIPAÇÃO ESTRATÉGICA

A comissão também decidiu reconvocar Roberto Campos Neto, que não compareceu à oitiva anterior.

Embora ouvido como testemunha, a participação do ex-presidente do BC é considerada estratégica para compreender os mecanismos de regulação, fiscalização e inteligência financeira que podem — ou não — ter sido eficazes na prevenção de ilícitos.

A CPI pretende mapear possíveis lacunas institucionais que permitam a circulação de recursos de origem criminosa no sistema financeiro formal.

QUEBRAS DE SIGILO AVANÇAM

O endurecimento das medidas inclui ainda a aprovação de novos pedidos de quebra de sigilo bancário, fiscal e telemático de pessoas físicas e jurídicas já analisadas anteriormente.

As decisões foram ajustadas para atender exigências recentes do Supremo Tribunal Federal, reforçando a validade jurídica das diligências e ampliando o potencial probatório da comissão.


CAPTURA DO ESTADO EM FOCO

Ao avançar simultaneamente sobre agentes políticos e engrenagens financeiras, a CPI sinaliza que pretende ir além da superfície dos crimes e atingir suas estruturas de sustentação.

Em um país onde o crime organizado se adapta com rapidez e sofisticação, o desafio agora é transformar diagnóstico em ação concreta. Sem, contudo, que o peso das conexões políticas esvazie o alcance das investigações.

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