Crédito caro leva à inadimplência 8,9 milhões de empresas em 2025

Atingidas pelos juros altos, 90% do total de empresas inadimplentes são micro e pequenos negócios. (Foto Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Uma alta de 2 milhões em relação ao ano anterior, segundo Serasa

Os juros elevados e o crédito restrito levaram a inadimplência a atingir novo recorde em 2025 com 8,9 milhões de empresas. Um acréscimo de dois milhões de negativadas sobre 2024 (6,9 milhões). Um aumento de 28,7%.

Juntas, elas somaram mais de R$ 213 bilhões em dívidas negativadas, um acréscimo de 41% sobre os R$ 150,6 bilhões de 2024. A dívida média por CNPJ foi de R$ 23,8 mil, a maior média também desde o início da séria em 2016.

Mais de 90% (8,5 milhões de companhias) são micro ou pequenos negócios. Os dados são do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian de 2025, divulgado pelo Valor Econômico nesta segunda-feira (2).

Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, aponta os juros muito altos e por longo prazo para explicar essa situação. Com crédito mais caro, mais difícil fica para as empresas manterem seus compromissos, é o que se observa especialmente nos pequenos e médios negócios.

“Essa alta de 2 milhões de empresas em número de negativações na nossa base foi puxada especialmente por micro e pequenas empresas”, comentou a economista.

“O recorde de inadimplência mostra que muitas empresas seguem com pouco espaço financeiro para absorver oscilações de custos ou de receita. Com o crédito mais caro, cresce a dificuldade de alongar dívidas, o que acaba levando ao atraso de obrigações recorrentes”, manifestou Camila em janeiro quando divulgou o resultado de novembro onde já apontava o recorde de 8,9 milhões de empresas.

A manutenção da Selic, taxa básica da economia, em 15%, maior nível desde 2006, elevou os juros reais (descontada a inflação) a mais de 10%. No início de janeiro, a taxa para desconto de duplicatas (boleto), por exemplo, do Santander estava em 20,07% ao ano, no Itaú em 21,97% e no Crefisa em 25,10%, conforme o Banco Central.

“Se fala muito de como o encarecimento do crédito, com juros elevados, leva empresas à inadimplência. Mas, sabemos também que o crédito é vetor essencial para manutenção de fluxo de caixa, quando se fala das micro e pequenas empresas”, aponta a economista da Serasa.

Em relação a possível redução da taxa Selic a partir de março, a economista da Serasa declarou ao Valor que “ainda é muito cedo para afirmar que a perspectiva de corte de juros será suficiente para reverter já no curto prazo a tendência da inadimplência, já bastante consolidada”.

“Existe expectativa grande de que corte de juros possa trazer algum tipo de alívio no custo de crédito”, disse. “Mas sabemos que são necessários alguns meses para que isso realmente se transfira para mercado de crédito”.

“Não é algo automático. Nós estamos com nível de juros muito restritivo. Precisaria de corte bastante relevante para alteração dessa dinâmica atual do mercado de crédito”, avaliou a economista-chefe da Serasa.

De acordo com o último mapa divulgado pela Serasa, em novembro, a maior parte das empresas negativadas foram do setor de “Serviços” (55,2%). Em seguida ficaram as do “Comércio” (32,7%), e “Indústria” (8,1%). Os setores “Outros” (3,1%) e “Primário” (0,9%) completaram o levantamento.

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