‘Delação’ obrigará Vorcaro a explicar injeção milionária nas campanhas de Bolsonaro e Tarcísio

Tarcísio de Freitas, Jair Bolsonaro e Daniel Vorcaro (Fotos: Lula Marques/Agência Brasil; Evaristo Sá (AFP) e reprodução)

Além dos R$ 5 milhões despendidos à campanha bolsonarista, o país poderá saber mais sobre a negociata que consumiu R$ 12 bilhões do BRB e o que levou Cláudio Castro, do Rio, a injetar R$ 1 bi dos aposentados do estado no banco falido do fraudador

Em sua coluna no site de notícias G1 desta segunda-feira (23), o jornalista Valdo Cruz afirmou que o banqueiro Daniel Vorcaro terá que responder a todas as perguntas da Justiça e da Polícia Federal, num eventual acordo de colaboração premiada.

AUTORIZAÇÃO DE CAMPOS NETO

Sem dúvida, essa acordo será útil se Vorcaro explicar, por exemplo, como conseguiu de Roberto Campos Neto, então presidente do Banco Central, a autorização, dada em 2019 – ainda quando Master se chamava Máxima e estava impedido de atuar no mercado por fraudes – para seu banco funcionar e dar golpes livremente. Além de obter a autorização, Vorcaro recebeu a benesse de entrar no ramo bilionário dos empréstimos consignados.

Ele poderá explicar o papel de Guedes, Onix Lorenzoni e João Roma, na ampliação dos contratos, na captação vertiginosa de recursos através da oferta de CDBs de alto risco que fizeram o Master explodir em crescimento durante o governo Bolsonaro. Além de ampliar a margem dos consignados, os bolsonaristas liberaram o consignado até para quem recebia o auxílio Brasil. Tudo para engordar os cofres de Vorcaro e embolsar propinas.

Mais uma coisa que o dono do Master terá oportunidade de esclarecer é motivo pelo qual Ronaldo Bento, último ministro da Cidadania de Bolsonaro – que atuou pela liberação do consignado do Auxílio Brasil – virou diretor do Banco Master. Um conluio altamente suspeito. O Brasil quer saber como Vorcaro conseguiu esses contratos, além da façanha de corromper dois funcionários do alto escalão do BC, dirigido por Campos Neto, para assessorá-lo em seus golpes contra clientes e o país. O rombo provocado pelo banqueiro já passa de R$ 50 bilhões.

DINHEIRO PARA BOLSONARO

Outra pergunta que poderá ser respondida é o motivo que o levou a fazer a doação de R$ 3 milhões para a campanha de Jair Bolsonaro em 2022. O que o Brasil quer saber é se essa doação tem relação com a ajuda que foi dada pelo Banco Central, sob a administração de Bolsonaro, e Campos Neto, para que o Master explodisse de ganhar dinheiro.

Em sequência vem a pergunta dos motivos que o levaram a despejar também mais R$ 2 milhões na campanha de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo. Seu cunhado e operador Fabiano Zettel, que está preso, foi o maior doador individual de Tarcísio. Ele também poderá dar detalhes de como ele conseguiu que a Emae, empresa de águas de São Paulo, privatizada por Tarcísio, desviou R$ 160 milhões de seu caixa – quebrando a empresa – para injetar no Master.

Algumas de suas ligações com outros bolsonaristas, como o senador Ciro Nogueira, já vieram a público em mensagens obtidas recentemente pela Polícia Federal. Mas o acordo de colaboração é uma boa oportunidade para se esclarecer o que o senador levou para insistir na negociata escandalosa com o BRB. Ciro Nogueira chegou a ameaçar o diretor do BC que impediu a compra do Master pelo BRB de impeachment. Ele também tentou “salvar” Vorcaro propondo elevar o limite de garantia de crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Vorcaro dava seus golpes prometendo “segurança” através do Fundo Garantidos de Crédito (FGC), que tinha um limite de R$ 250 mil.

IBANEIS DESVIOU R$ 12 BI PRA O MASTER

Mas a pergunta que não quer calar é como o banqueiro trambiqueiro conseguiu vender uma carteira de crédito completamente bichada – cheia de títulos podres e falsos – para o BRB por R$ 12 bilhões. Ele poderá dizer qual foi o papel do governador bolsonarista Ibaneis Rocha nessa operação. Uma operação dessa envergadura não seria feita sem a sua autorização. Muito menos a decisão de comprar o Master.

Ele poderá também explicar como fez Cláudio Castro, outro governador bolsonarista, do Rio de Janeiro, que acaba de renunciar ao cargo – antes de ser cassado -, autorizou o desvio de R$ 1 bilhão dos aposentados do estado para abastecer os cofres do Banco Master.

E, por fim, mas não menos importante, ele poderá dar detalhes de seu conluio com a Igreja da Lagoinha, de BH, onde ele trabalhava num programa de TV da igreja. A Lagoinha, comandada pelo pastor André Valadão e frequentada pelo deputado Nikolas Ferreira, está sob investigação por lavagem de dinheiro no escândalo do INSS. Mais do que isso, ele poderá explicar porque emprestou o seu jatinho particular para Nikolas Ferreira viajar pelo país inteiro em campanha eleitoral para Bolsonaro em 2022.

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