Deputado bolsonarista recebeu R$ 14,7 milhões em propina na fraude do INSS, diz PF

Pettersen com seu guru Bolsonaro (Foto: Reprodução - Redes sociais)

Planilhas apreendidas em operação indicam que parlamentar seria identificado como “Herói E” em registros de pagamentos ilícitos ligados a esquema de descontos irregulares em aposentadorias

A investigação da Polícia Federal sobre o esquema de fraudes que envolveu descontos irregulares em benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) aponta que o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) teria recebido R$ 14,7 milhões em propina ligados à estrutura que operava irregularmente sobre aposentadorias e pensões.

Segundo relatório da corporação, o parlamentar aparece identificado como “Herói E” em planilhas financeiras apreendidas durante a operação policial que investiga a atuação de associações e empresas suspeitas de intermediar cobranças indevidas de beneficiários da Previdência.

De acordo com os investigadores, os documentos detalham repasses financeiros relacionados ao esquema, com indicação de codinomes atribuídos a intermediários e beneficiários políticos.

Em um dos trechos do relatório policial, citado na investigação, os agentes escreveram:

“As planilhas financeiras apreendidas indicam pagamentos sistemáticos identificados por codinomes, sendo ‘Herói E’ associado ao parlamentar Euclydes Pettersen.”

ESQUEMA DE DESCONTOS ILEGAIS

A apuração da PF investiga o esquema nacional de cobranças indevidas em benefícios previdenciários, por meio de filiações automáticas a associações e entidades que ofereciam serviços a aposentados e pensionistas.

Segundo a investigação, milhões de beneficiários sofreram descontos mensais não autorizados diretamente em seus pagamentos do INSS.


De acordo com os investigadores, o esquema funcionava por meio de convênios firmados com entidades que tinham autorização para efetuar descontos associativos. Na prática, porém, essas filiações seriam feitas sem consentimento dos segurados.

O relatório da PF aponta que parte dos valores arrecadados era redistribuído em rede de intermediários, operadores financeiros e agentes políticos.

“As planilhas mostram um controle detalhado de entradas e saídas de recursos, com indicação de valores, datas e destinatários codificados.”

PLANILHAS E CODINOMES

Os documentos apreendidos pelos investigadores teriam sido encontrados em dispositivos eletrônicos e arquivos de empresas ligadas à estrutura investigada.

Nas planilhas, segundo a PF, aparecem registros de transferências e pagamentos identificados por letras ou apelidos; estratégia frequentemente usada em esquemas de corrupção para ocultar beneficiários.

No caso analisado, os investigadores concluíram que o codinome “Herói E” corresponderia ao deputado mineiro.

Os documentos indicariam pagamentos que, somados, alcançam R$ 14,7 milhões.

A Polícia Federal afirma que a identificação foi possível a partir de cruzamento de dados bancários, depoimentos e outras evidências coletadas durante a investigação.

DEFESA DO PARLAMENTAR

Em manifestações públicas sobre o caso, o deputado negou qualquer participação em irregularidades.

Segundo ele, não há relação com o esquema investigado.

“Não participei de qualquer estrutura de fraude ou recebimento de valores indevidos. Confio que a verdade será esclarecida no curso das investigações.”

A defesa do parlamentar sustenta que a citação em planilhas não comprova recebimento de recursos e que eventuais referências podem ter sido feitas sem conhecimento dele.

DESDOBRAMENTOS DA INVESTIGAÇÃO

A operação da Polícia Federal que revelou o material apreendido integra conjunto de investigações sobre fraudes em descontos associativos no INSS, considerado um dos maiores esquemas já apurados na área previdenciária.

Além da análise de planilhas e registros financeiros, os investigadores continuam realizando:

quebra de sigilos bancários e fiscais; análise de contratos firmados com associações; depoimentos de operadores financeiros; e rastreamento de fluxos de dinheiro.

A expectativa da Polícia Federal é identificar todos os beneficiários do esquema e dimensionar o prejuízo causado a aposentados e pensionistas.

Enquanto as investigações avançam, o caso amplia a pressão política e judicial sobre os envolvidos e pode abrir novos desdobramentos no Congresso Nacional e no sistema de Justiça.

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