Desemprego fica em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro. Indústria perde postos

Foto: CNI/Divulgação

Menor taxa desde 2012. Cerca de 5,9 milhões estão procurando emprego. No trabalho precário estão 38,5 milhões de brasileiros

A taxa de desocupação no Brasil ficou em 5,4% no trimestre de novembro de 2025 a janeiro de 2026, a mais baixa de 2012, segundo a PNAD Contínua Mensal, divulgada hoje (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação ao trimestre móvel de novembro de 2024 a janeiro de 2025 (6,5%), houve queda de 1,1 ponto percentual (p.p.)

São cerca de 5,9 milhões de pessoas sem emprego no país, uma redução de 17,1% na comparação anual, o que representa 1,2 milhão de pessoas desempregadas a menos de um ano para o outro.

O rendimento real habitual de todos os trabalhos chegou a R$ 3.652, o mais alto da série, com alta de 2,8% no trimestre e de 5,4% no ano.

A massa de rendimento real habitual (R$ 370,3 bilhões) – que é a soma dos rendimentos brutos habitualmente recebidos de todas as pessoas ocupadas em todos os trabalhos que tinham na semana de referência – também é recorde, crescendo 2,9% no trimestre (mais R$ 10,5 bilhões) e 7,3% (mais R$ 25,1 bilhões) no ano.

A população ocupada chegou a 102,7 milhões, também o maior contingente da série comparável, ficando estável no trimestre e com aumento de 1,7% (mais 1,7 milhões de pessoas) no ano. O nível da ocupação (percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar) foi de 58,7%, com estabilidade no trimestre (58,8%) e crescendo 0,5 p.p. no ano (58,2%).

A taxa de desocupação em 5,4% ficou a mesma do trimestre anterior (agosto a outubro de 2025).

“Os resultados do trimestre encerrado em janeiro de 2026 apontam fundamentalmente para a estabilidade dos indicadores de ocupação. Embora a entrada do mês de janeiro tenda a reduzir o contingente de trabalhadores, muitas vezes devido à dispensa de temporários, os efeitos favoráveis de novembro e dezembro reduziram o impacto desse movimento sazonal”, diz a coordenadora da pesquisa do IBGE, Adriana Beriguy, .

O percentual de pessoas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas e na força de trabalho potencial em relação à força de trabalho ampliada – a taxa de subutilização da força de trabalho – caiu de 15,5% para 13,8% na comparação anual. A população desalentada (2,7 milhões) ficou estável no trimestre e teve redução de 15,2% (menos 476 mil pessoas) no ano.

Informalidade

A taxa de informalidade, que mede a proporção de trabalhadores informais na população ocupada, vem caindo, mas ainda assusta. São 38,5 milhões de trabalhadores sem carteira, que trabalham em condições precárias, sem proteção, sem direitos trabalhistas. Um contingente enorme desses trabalhadores se viram por conta própria para garantir o sustento da família, com renda mais baixa e jornadas exaustivas. São 26,2 milhões que trabalham por conta própria, um aumento de 3,7% no ano (mais 927 mil pessoas).

O número de trabalhadores domésticos (5,5 milhões) mostrou estabilidade no trimestre e redução de 4,5% no ano (menos 257 mil pessoas), sendo que 4,182 milhões estão na informalidade.

“A taxa de informalidade vem em queda desde 2022, com aceleração dessa trajetória a partir de 2023. Especificamente no atual trimestre, a retração da taxa esteve associada à tendência de queda do emprego sem carteira no setor privado e de expansão da cobertura de registro no CNPJ dos trabalhadores por conta própria”, explica a coordenadora da pesquisa

O número de empregados no setor privado com carteira assinada (exclusive trabalhadores domésticos) foi de 39,4 milhões. Houve estabilidade no trimestre e alta de 2,1% (mais 800 mil pessoas) no ano. Por outro lado, o total empregados sem carteira no setor privado (13,4 milhões) ficou estável no trimestre e no ano.

Administração pública puxa aumento da ocupação. Indústria registra queda

No trimestre encerrado em janeiro, ante o trimestre anterior, houve aumento no total de ocupados nos grupamentos e Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas (365 mil pessoas), Comércio (238 mil); Outros serviços (185 mil pessoas) e transporte (64 mil).

Já a Indústria geral foi o setor que mais perdeu mão de obra, uma redução de 305 mil. Também registraram queda na ocupação: Construção (-161 mil), Agricultura (-152 mil), Alojamento e alimentação (-58 mil), Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (-50 mil) e Serviços domésticos (-39 mil).

Na comparação anual, o IBGE o crescimento na ocupação nos grupamentos de Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas (mais 561 mil pessoas) e Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (mais 1,1 milhão de pessoas). Houve redução no grupamento de Serviços domésticos (menos 243 mil pessoas). Construção e Indústria também registraram quedas menos 83 mil e menos 94 mil, respectivamente.

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